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sexta-feira, agosto 03, 2012

Textos Correntes #16

Das cidades para o campo, dos campos para a cidade: o transporte das essências com que o mundo ferve nas horas mais quentes da estadia. O passado ao presente, esquecendo o futuro. Na migração há marcas de passagens, há flores espezinhadas, mas há ainda um roçar de mãos e um momento fugaz tornar-se sensação viva de atropelamento. Lembro-me disso, disto – daquilo que faz uma pessoa ser água, e o amor, amor, é água que corre, sim. E passa pelo meio das árvores e traça raízes na fundura das cidades, povoadas ou não. O deserto é imune, a cidade impune, e o campo, uma assombração.
Há um novo meio de locomoção, que planifica a terra esburacada em céu, e a travessia é fantasmagórica, um sopro quente no ar saturado de espectros revelados no visível – os olhos movem-se em sacadas durante o tremor à passagem do cavalo de ferro – o meu transporte favorito. Até ao porto, pirateando o coração. E ouvir os fantasmas das viúvas, coladas ao vento, redemoinhando sem fim. Estão do meu lado e a meu lado, a chamar pelos entes subaquáticos, de longos cabelos de algas bem vivas. Há uma física na magia inventada: tudo é pobre quando o carvão esgota. A viagem muda de velocidade à medida que me aproximo do porto, que os carris desembocam nos porões por onde partirei carregado de esperança, entre as cargas e os fantasmas. O mundo antigo encostado ao meu peito, o futuro nos meus ombros, e as colunas por onde se erguem os sóis. É o sol que volta a girar, e o mundo cadente sob as pontes inexploráveis. Os nativos em roda, aos cachimbos, para longe pelas carroças – e as planícies acidentadas vistas dos vagões onde os cachos aquecem, amadurecem, resplandecem o ar de sabores. E a chegada ao porto onde adormeço.

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