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quarta-feira, agosto 29, 2012

Leituras Correntes #9


"Tão verdadeiro ele é, e tão terrível também, que até certo ponto o pensamento ou o espectáculo da miséria ganha o melhor dos nossos sentimentos; mas, em certos casos especiais, para além desse limite, não. Erram quando afirmam que tal se deve, invariavelmente, ao egoísmo inerente ao coração humano. Antes tem a origem num certo desânimo, incapaz de remediar um mal excessivo e orgânico. Para um ser sensível, a piedade é, não raras vezes, sofrimento. E quando finalmente entende que uma tal piedade não pode levar a uma efectiva ajuda, o senso comum obriga o espírito a ver-se livre dela."

terça-feira, agosto 28, 2012

Flaunt it

GOING UP (yours).
Fuck('s) the new attitude.
So old it's new.
How much I care.
Role modeling is so 2013.
That’s about it.

segunda-feira, agosto 27, 2012

Observação dos dias

Há vida no bairro, outra vez. As "tribos", as 'famelgas', os quejandos e solitários da vida, vêm regressando todos os dias, ao luxo, à mediania, à luz entre as esquinas. Às redondezas, aos espaços periféricos, aos recantos obscuros.
Confirma-se pela conversa trocada nos cafés que vieram das férias - das praias, dos destinos mais, ou menos exóticos; da casa da avó bem lá ao cimo do norte, do barracão ao sul, dos dias fora do mundo, essa grande merda que é o mundo. Há em todos os que as tiveram, mais, ou menos merecidas, rasgos de satisfação visível, energias retemperadas; os cumprimentos mais vivos, as gargalhadas mais sonoras, os reencontros. Um diz "Vida de pobre é assim, tem de se voltar para o trabalho", o outro diz "HEHE" (e há risos).
"A Cristina está cá hoje?". Entre passagens de contentamento em estar a meio do dia, já, ou ainda. Os chilreares tornam-se menos perceptíveis, os tubos de escape retomam o ambiente, os putos já se esmurraçam e correm à vez desvairados, outra vez. Bicicletas estacionadas.
O senhor da voz de faneca já aí anda outra vez. As chegadas a fora de horas, pela calada da noite, o desempacotar da tralha da bagageira. O comum e mundano.

sábado, agosto 25, 2012

Textos Correntes #20


A todo o vapor sem olhar para trás. Bocas à fonte, à frente, à boca de palco com as garras à fronte. À frente do tempo, é possível. É possível. O meu crânio toma a forma de uma ferradura e cavalga através das barreiras e dos pontos cardeais.

Agarra as cortinas, puxa-as, esgravata-as. Rompe os canais e atira a bagagem borda fora. Pelas águas interditas, pelas entretecidas em nós, e levantar voo à terra do sempre - pastos de abundância. Ilha das colheitas rebentadas nas mãos e dentro dos olhos. Declamadores. Os prantos não secam, felizes, com esta força. As foices abrem mel nas searas e poços milenares por ali esquecidos. O mel sabe a rum e é ateado ao vento neste mundo alienado. Mar à vista, sempre, separados do continente.
O relento pacífico com o céu como tecto. Um leito entre os cardos e a flor frondosa como uma árvore acima das coisas: o farol de raízes – o pranto humedecendo sempre a terra da utopia incompreensível, e incansável.
A plena construção destrutiva: comendo a terra e bebendo o oceano. As cores mudam. A leste. Para leste!

O sol sai devorando os bocados pelo caminho, procurando o regresso à lua. À tua procura na cabeça, à tua procura no pensamento; onde te deixei ficar. Onde me encontro e me busco sentido.


segunda-feira, agosto 20, 2012

Textos Correntes #19


Primavera. Uma pessoa refaz o mundo.

Falta qualquer coisa, mas a Máquina está no ar.
Alguma coisa falta, aos poucos, sem ar. 

Procuro-te em todos os lugares onde faltas. Faltas ao ar, também.
Procuro-te os passos em todos os lugares errados da imaginação.
Porque não me mexo? Porque não te ato os atacadores?

Verão.
Feno. O aperto na palha. O pó do malmequer.
O nervo moído.
O embate na rebentação do mar: o choque da infusão de água cristalina no sangue, e a osmose, a pele em transparência. O olhar do camaleão.
As mãos readaptam-se então ao repouso, num corpo incendiado. 

A Máquina avista-se. Preciso das cordas.

quinta-feira, agosto 16, 2012

Leituras Correntes #8


"Nem um só momento, velho e formoso Walt
Whitman,
deixei de olhar a tua barba cheia de borboletas,
os teus ombros de bombazina gastos pela lua,
(…)
Nem um só momento, formosura viril,
que em montes de carvão, vias-férreas e anúncios,
sonhavas ser um rio e dormir como um rio
com aquele camarada que poria no teu peito
uma pequena dor de ignorante leopardo.
Nem um só momento, Adão de sangue, macho,
homem sozinho no mar, velho e formoso Walt
Whitman
(…)
Mas tu não procuravas olhos arranhados,
nem o pântano sombrio onde afogam os
garotos,
nem a saliva gelada,
nem as feridas curvas como panças de sapos
(…)
Tu procuravas um nu que fosse como um rio,
toiro e sonho que junte a roda à alga
(…)
Porque é justo que o homem não procure o prazer
na selva de sangue da manhã mais próxima.
O céu tem praias onde evitar a vida
e há corpos que não devem repetir-se na aurora.
Agonia, agonia, sonho, fermento e sonho.
(…)
Pode o homem, se quiser, conduzir o desejo
por veia de coral ou nu celeste.
Amanhã todo o amor será rocha e o Tempo
uma brisa que chega adormecida pelos ramos
 
(...)"


terça-feira, agosto 14, 2012

Textos Correntes #18


Da balaustrada da praia, da adoração à veneração; ao desmoronar da terra nos sentidos - à súplica determinada, constante, alimentando-se só de si mesma, agarrada a um punhado de erva e raízes desfeitas. Mordê-las, trinca-las, mastiga-las.

Na rudimentaridade ciosa de um desespero encantado, a sugar, a mascar, a mastigar, a trincar, a morder, o gesto omnívoro pelo ruminante – e o renascimento contínuo, dos dentes na gengiva, cravados a puxar as entranhas no gesto abandonado no mármore da balaustrada.

A observação emocionada e demorada dos cavalos a emergir da água escura, e depois a vogar pela arena como nos sonhos mais antigos. Perdemos o tempo. O girar do sol até ao anoitecer, e permanecer renascimento - na heresia do romantismo perante o manto de pontos cintilantes, que destapa os sonhos, intangível.

Incansável.

Não tentes vento, manso vento que vens de cima, arrefecer o que resta do corpo. Resistente e perene, admirando. Desejar. Arder. Ascender.

domingo, agosto 12, 2012

As Três Lições Mandatárias


Nascer é, antes de mais, levar com pancada no rabo até chorar que nem um adulto. 

Eu, em mim mesmo, sou à partida uma vantagem. 

Guardo muitos julgamentos para mim mesmo – e um dia estarei num castelo assombrado por eles.

Tracks On: and playlists to go/come before (i)...


sábado, agosto 11, 2012

Carvings

Fintan Switzer
"L(ooooo)k away
They try to find the Milky Way

They love to drink it everyday


No no no no no no no you

You and I, It's like you said

Oh oh oh I'm

Looking for a band today"

sexta-feira, agosto 10, 2012

Textos Correntes #17


É e não é. E se o fores
Cresce e dá-lhes trabalho.
Eu aqui quase nos trinta
Com sabor a trinta e um
Pouco tenho feito de que me
Possa realmente orgulhar
Mas de menos ainda
Me arrependo.
Limo a consciência
E nela me deito.
Faz de conta
Que é ditado.
Aprende a falar, a escrever,
E forma o que lês dentro de ti,
Dá forma ao que vais sendo
E explica-me como vai o mundo.

quarta-feira, agosto 08, 2012

E assim acontece

Da série 'As boas notícias esquecem-se depressa e as más chegam mais depressa ainda'.
Do exemplo português para 'Vão despachando as condições para Marte, que a Terra está de fodida para pior'.

Pois que e ainda a procissão vai no adro.


"Área ardida este ano é oito vezes maior do que a de Lisboa
08.08.2012
Helena Geraldes

Os quase 14.000 incêndios que deflagraram de 1 de Janeiro a 31 de Julho queimaram um total de 67.052 hectares, ou seja, uma área que é cerca de oito vezes maior do que a da cidade de Lisboa. Esta área triplicou em relação ao período homólogo de 2011, segundo dados provisórios da Autoridade Florestal Nacional.
Por esta altura no ano passado, a Autoridade Florestal Nacional tinha registado um total de 10.987 incêndios e 21.518 hectares ardidos. Este ano, no mesmo período, os valores são superiores: 13.889 incêndios e 67.052 hectares ardidos.

Os valores registados até 31 de Julho último também são superiores à média de 2002-2011, ou seja, 11.313 incêndios e 47.101 hectares de área ardida.

Nos primeiros sete meses deste ano, do total da superfície consumida pelo fogo, 40.272 hectares eram de mato e 26.780 hectares de floresta. A grande maioria das deflagrações (10.761 ocorrências) abrangeu menos de um hectare.

O maior incêndio deste ano, até ao momento, foi o que teve início a 18 de Julho no local de Catraia, no concelho de Tavira. Terá consumido 23.958 hectares.

Ainda segundo a AFN, o maior número de ocorrências registou-se no distrito do Porto (2866 registos), seguido pelos distritos de Aveiro (1295), Braga (1525), Vila Real (1195) e Viseu (1447).

O distrito de Faro é aquele que tem maior área ardida (22.101 hectares)."

(in Público)


AQUI:
Código Penal

LIVRO II - Parte especial
TÍTULO IV - Dos crimes contra a vida em sociedade
CAPÍTULO III - Dos crimes de perigo comum
----------
Artigo 274.º - Incêndio florestal

       1 - Quem provocar incêndio em terreno ocupado com floresta, incluindo matas, ou pastagem, mato, formações vegetais espontâneas ou em terreno agrícola, próprios ou alheios, é punido com pena de prisão de 1 a 8 anos.
       2 - Se, através da conduta referida no número anterior, o agente:

              a) Criar perigo para a vida ou para a integridade física de outrem, ou para bens patrimoniais alheios de valor elevado;
              b) Deixar a vítima em situação económica difícil; ou
              c) Actuar com intenção de obter benefício económico;

       é punido com pena de prisão de três a doze anos.
       3 - Se o perigo previsto na alínea a) do n.º 2 for criado por negligência, o agente é punido com pena de prisão de dois a dez anos.
       4 - Se a conduta prevista no n.º 1 for praticada por negligência, o agente é punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa.
       5 - Se a conduta prevista no número anterior for praticada por negligência grosseira ou criar perigo para a vida ou para a integridade física de outrem, ou para bens patrimoniais alheios de valor elevado, o agente é punido com pena de prisão até cinco anos.
       6 - Quem impedir o combate aos incêndios referidos nos números anteriores é punido com pena de prisão de um a oito anos.
       7 - Quem dificultar a extinção dos incêndios referidos nos números anteriores, designadamente destruindo ou tornando inutilizável o material destinado a combatê-los, é punido com pena de prisão de um a cinco anos.
       8 - Não é abrangida pelo disposto nos n.ºs 1 a 5 a realização de trabalhos e outras operações que, segundo os conhecimentos e a experiência da técnica florestal, se mostrarem indicados e forem levados a cabo, de acordo com as regras aplicáveis, por pessoa qualificada ou devidamente autorizada, para combater incêndios, prevenir, debelar ou minorar a deterioração do património florestal ou garantir a sua defesa ou conservação.
       9 - Quando qualquer dos crimes previstos nos números anteriores for cometido por inimputável, é aplicável a medida de segurança prevista no artigo 91.º, sob a forma de internamento intermitente e coincidente com os meses de maior risco de ocorrência de fogos.

True Smoker™


terça-feira, agosto 07, 2012

August's Hdclnr [MFng] Playlist




 
Jimi Hendrix - Purple Haze
The Rolling Stones - Sympathy For The Devil (The Neptunes Remix)Sonny J - Doing The Tango
Mr. Oizo - It Takes Two (Feat. Carmen Castro)
Mylo feat. Freeform Five - Muscle Car
Slam feat. Dot Allison - Visions
Daft Punk - Crescendolls
Vive La Fête - Maquillage
Greatest Hits - Danse Pop
White Denim - Shake Shake Shake


Helmet

"I've studied now philosophy, of the weary and opressed.
And even, ALAS! Theology,

From end to END, with labor keen;

And here, POOR fool! with ALL my lore
I STAND, no wiser than before."

(Camilla d'Errico)

900th. let's restart a blog; kind of.










"let's  start a magazine




to hell with literature
we want something redblooded

lousy with pure
reeking with stark
and fearlessly obscene

but really clean
get what I mean
let’s not spoil it
let’s make it serious

something authentic and delirious
you know something genuine like a mark
in a toilet


graced with guts and gutted
with grace"


segunda-feira, agosto 06, 2012

899/1 (nostalgia)

"First things first":

Just drop by to say: 898 posts and counting!

...900th: on target...
READY TO RUMBLE?


Thinking of something.

 
 Special!
...

Yuh?


The Right Thing To Do (after day is done or before it has begun)

Piece of Cake:
  • Torção de cintura - quatro séries de 90 repetições.
  • Sentar para cima com torções - quatro séries de 20 repetições.
  • Elevações de perna - quatro séries de 20 repetições.
  • Torções inclinadas - quatro séries de 50 repetições.
  • Pontapés em posição de rã - quatro séries de 50 repetições.

    ..."et voilà"
(The Right Lee's Thing To Do)

"I am learning to understand rather than immediately judge or to be judged. I cannot blindly follow the crowd and accept their approach. I will not allow myself to indulge in the usual manipulating game of role creation. Fortunately for me, my self-knowledge has transcended that and I have come to understand that life is best to be lived and not to be conceptualized. I am happy because I am growing daily and I am honestly not knowing where the limit lies. To be certain, every day there can be a revelation or a new discovery. I treasure the memory of the past misfortunes. It has added more to my bank of fortitude."

domingo, agosto 05, 2012

The inverted 'Dum Dum Ditty'

om... fade
Makes my heart come ditty ditty run
Makes my heart come ditty ditty run, mud mud.
And he makes my heart come run run ditty boom boom
He does what everyone does
He lives in the mansion cause his folks always had everything
He's a rebel with a cause
He talks too much and when he doesn't he's saying a little something


Ditty Ditty Mud




sexta-feira, agosto 03, 2012

Textos Correntes #16

Das cidades para o campo, dos campos para a cidade: o transporte das essências com que o mundo ferve nas horas mais quentes da estadia. O passado ao presente, esquecendo o futuro. Na migração há marcas de passagens, há flores espezinhadas, mas há ainda um roçar de mãos e um momento fugaz tornar-se sensação viva de atropelamento. Lembro-me disso, disto – daquilo que faz uma pessoa ser água, e o amor, amor, é água que corre, sim. E passa pelo meio das árvores e traça raízes na fundura das cidades, povoadas ou não. O deserto é imune, a cidade impune, e o campo, uma assombração.
Há um novo meio de locomoção, que planifica a terra esburacada em céu, e a travessia é fantasmagórica, um sopro quente no ar saturado de espectros revelados no visível – os olhos movem-se em sacadas durante o tremor à passagem do cavalo de ferro – o meu transporte favorito. Até ao porto, pirateando o coração. E ouvir os fantasmas das viúvas, coladas ao vento, redemoinhando sem fim. Estão do meu lado e a meu lado, a chamar pelos entes subaquáticos, de longos cabelos de algas bem vivas. Há uma física na magia inventada: tudo é pobre quando o carvão esgota. A viagem muda de velocidade à medida que me aproximo do porto, que os carris desembocam nos porões por onde partirei carregado de esperança, entre as cargas e os fantasmas. O mundo antigo encostado ao meu peito, o futuro nos meus ombros, e as colunas por onde se erguem os sóis. É o sol que volta a girar, e o mundo cadente sob as pontes inexploráveis. Os nativos em roda, aos cachimbos, para longe pelas carroças – e as planícies acidentadas vistas dos vagões onde os cachos aquecem, amadurecem, resplandecem o ar de sabores. E a chegada ao porto onde adormeço.

quinta-feira, agosto 02, 2012

Textos Correntes #15


Não longe das cidades estão as aldeias de onde se fareja o mar. Pelo caminho, como um cão à janela de um carro, com a língua de fora, fui largando os pensamentos.
No regresso poderá haver outro caminho e avistar outros, de outras pessoas – fazê-los crescer nos meus, descobrir-me os ossos neles, confrontá-los com os meus próprios, aos meus olhos, nas minhas mãos, derrete-los pelo pescoço. Lavar-me. Secar-me. Esticar-me ao sol.
As cidades enclausuram-me numa caixa de reflexões, tantas vezes contraditórias e num peso de insatisfação crescente. Os metais queimam, entre os reflexos e os raiares no alcatrão. O verão na cidade é, tantas vezes, uma canção desolada. Sei-o agora, que estou a ficar livre em cima de um muro de cal desbotada, a espaços comida pelas ervas fortes das coisas periféricas, à margem do sufoco do labirinto. É um elogio ao espaço de onde quase se vê o mar e os cães vão para lá, correr num areal sem fim.

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