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terça-feira, junho 12, 2012

Textos Correntes #6

O terço da ilha.

Debruça-se sobre a mesa de cornucópias em cores vivas e quentes, à medida da cadência dos acordes dedilhados; espreme, torce e deixa pingar a água a mais do pano cinzento para o centro - e de lá, desliza-o sobre toda a superfície. Lava-a, limpa as nódoas.
As fáceis e as difíceis, à medida que repara em todas e desvia então o olhar para a janela: vê o mar de azul a evaporar-se pelo calor mesmo ali ao alcance da vontade. Fecha os olhos e deixa-se submergir na sensação dos pés a roçar os grãos de areia e o cabelo a empapar-se na água fresca e estival. Deixa-se estiraçar no areal junto à cesta de fruta sumarenta. Cobre o rosto a perder a expressão, mas bonito como todos, com um leque encarnado de tecido fino, leve. Adormece.
Depois de escrever um terço da história escondo rapidamente o terço no forro das vértebras, e disfarço-me de invertebrado para que não saibam que te rezei, porque os invertebrados não pensam – logo, não contam; para que apenas tu venhas a saber, um dia, quando me despir, que foi ali que enterrei o osso, o tesouro (na ilha) que te confiarei; que em momentos de deriva desesperante acreditei num santuário na terça parte afundada de um cone de gelo, e rezei, e na carne o afundei – para arrefecer o corpo e congelar-me num momento. E que desarmadilhes a orquestra para a poderes tocar sempre, com todo o tempo do mundo, e ser carregado pela energia de outros tempos, outras vontades. Por agora, navega numa acústica pensada, sonorizada dentro do terço que se enrolou entre os dedos para confessar um desejo dentro do forro dentro da vértebra que suporta o esqueleto – parte de mim, invertebrado, quieto, mudo; parte de mim a despir-se.
Afinal, quem és tu? Quem, sob esta luz azul das memórias do verde? Do tempo – estaremos, como alguém escreveu um dia - em busca permanente: o fáustico nele: o não resolvido.

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