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sábado, junho 30, 2012

A style called... I put a " darlin' " on you!

Há tantas versões da I Put a Spell on You.
Screamin' Jay Hawkins (o original - bluesy voodoo 'killah' stuff - se não estou em erro), Nina Simone (a versão cadente, quase desesperada), Creedence Clearwater Revival (para quando se é do rock clássico), Natacha Atlas (a versão exótica e cheia de percussão), etc, e, ...bom, entretanto descobri que os The Kills também a tocam, e muito muito bem! 


Outra, desta vez portuguesa, e que nos deram bem "forte":
"Fala-me um pouco mais,
Era tão bom ficar,
O mal é que eu já não sei quem eu sou,
Eu não sei se eu sou capaz,
De me ouvir.
Fala-me um pouco mais,
Era tão bom subir,
E dar o que eu nunca dei a ninguém.
Sei que é bom teu travo a tudo,
O que é mortal.
Já agora,
Mata-me outra vez.
Era tão bom direi,
Mata-me outra vez.
Era tão bom direi,
Mata-me outra vez.
Mata-me outra vez!
Tudo tem um fim,
E aqui não há,
Ninguém que possa ter o mundo,
Para dar.
Se um dia voltar,
Vai ser só mais uma forma,
De me ausentar,
Daquilo em que eu não,
Quero pensar.
Já tudo teve um fim,
Já que eu,
Estou por cá,
Eu digo como é fácil,
Para mim se já não dá.
Sei que é bom teu travo a tudo,
O que é mortal.
Já agora,
Mata-me outra vez.
Era tão bom direi,
Mata-me outra vez.
Era tão bom direi,
Mata-me outra vez.
Mata-me outra vez!
Páro de andar,
Páro p'ra te ouvir.
Páro para ver se é bom p'ra mim.
Se é melhor so que uma vida,
Tão só e prenha de ninguém.
E vejo que é bom dizer,
Páro p'ra te ouvir.
Mas foi só,
Para ver,
Se o futuro é para nós.
Para quem tem o mesmo mal de,
Não saber amar.
Falo que,
Pensar em mim,
É cura e faz-me acordar.
Ou dormir.
Fala-me um pouco mais,
Era tão bom subir,
E dar o que eu nunca dei a nimguém.
Sei que é bom teu travo a tudo,
O que é mortal.
Já agora,
Mata-me outra vez.
Era tão bom direi,
Mata-me outra vez.
Era tão bom direi,
Mata-me outra vez."
(Ornatos Violeta)

But...
my
current Madonna:
 


And the 'happy soft ending' for this entry, to remember:

terça-feira, junho 26, 2012

Textos Correntes #9

Pelo fio eléctrico, conduzindo o fluxo de veneno balsâmico: gelado, a bater o corpo num choque térmico. Prisão dos espasmos na repetição das sílabas erradas, por sair, uma a uma, na gaguez possível – o coração escorregadio das mãos ao chão, o coração pelo funil, bebe-o, este é o teu corpo; e a terra é um pântano de sangue lubrificado. Este som que corta o ar, como uma libertação das palavras inexistentes que dizem tudo o que as outras não conseguem nem sabem dizer – canta-se, mentalmente - de volta pelo trapézio, pé ante pé – calos-trepadeiras pelas pernas acima. Seca-se, salga-se, petrifica-se o som que humedece o ar. Os nomes cravados nos troncos, o arranhar do giz na ardósia, o dente que fica na maçã; e o vidro partido da montra de somatórios de nomes anónimos, apaixonados numa rua onde o sol bate a calçada de pedras salientes em brasa, evaporando o bálsamo e diluindo no veneno durante o tempo que resta a tudo estar intenso, preso na tensão do cabo eléctrico e da mão de espinhos. 


quinta-feira, junho 21, 2012

Textos Correntes #8

A catarse com que se esventra em pedaços de chocolate branco e denso, gelado, e com que barra do céu ao inferno a dor da cor numa dimensão voraz e sem tempo.
Danças multiplicadas, vagarosamente, em esforço exponencial no suor das mãos a puxar o chão para cima, até aos corpos indivisíveis.
E procurar-te sempre, procurar cobrir-te na tela de veludo onde atrás o pintor te decalca as sombras, vermelhas, que voam à frente dos olhares insaciáveis, entre sons que batem como punhos fechados contra o pó. E guardar-te.


terça-feira, junho 19, 2012

Textos Correntes #7


Andar sobre as nuvens é uma arte que requer um esforço quase desumano – caminhar como deuses – essa invenção necessária, sob o firmamento carregado de estrelas condutoras emaranhadas nas infinitas direcções do campo escuro; limpos na luz do centro gravitacional estelar mais próximo: o sol – tão falado, escrito, observado, desejado, amado, estudado, tão presente, tão desgastante e tão necessário às vidas – ao despontar dos caules, aquecimento da seiva; ilustrador da visão da terra fértil ou árida, da lua, e dos elementos que compõem uma paisagem tão táctil e efémera – a rotação na mudança, a manutenção da orientação no mundo de um grão de areia; em fogo, na convulsão em que viaja um pensamento agudo, que nunca é independente; como uma asa que precisa da outra, lado a lado, e em voo pelos ângulos do oxigénio, pelas nuvens, contra a gravidade e num zumbido grave.

terça-feira, junho 12, 2012

Textos Correntes #6

O terço da ilha.

Debruça-se sobre a mesa de cornucópias em cores vivas e quentes, à medida da cadência dos acordes dedilhados; espreme, torce e deixa pingar a água a mais do pano cinzento para o centro - e de lá, desliza-o sobre toda a superfície. Lava-a, limpa as nódoas.
As fáceis e as difíceis, à medida que repara em todas e desvia então o olhar para a janela: vê o mar de azul a evaporar-se pelo calor mesmo ali ao alcance da vontade. Fecha os olhos e deixa-se submergir na sensação dos pés a roçar os grãos de areia e o cabelo a empapar-se na água fresca e estival. Deixa-se estiraçar no areal junto à cesta de fruta sumarenta. Cobre o rosto a perder a expressão, mas bonito como todos, com um leque encarnado de tecido fino, leve. Adormece.
Depois de escrever um terço da história escondo rapidamente o terço no forro das vértebras, e disfarço-me de invertebrado para que não saibam que te rezei, porque os invertebrados não pensam – logo, não contam; para que apenas tu venhas a saber, um dia, quando me despir, que foi ali que enterrei o osso, o tesouro (na ilha) que te confiarei; que em momentos de deriva desesperante acreditei num santuário na terça parte afundada de um cone de gelo, e rezei, e na carne o afundei – para arrefecer o corpo e congelar-me num momento. E que desarmadilhes a orquestra para a poderes tocar sempre, com todo o tempo do mundo, e ser carregado pela energia de outros tempos, outras vontades. Por agora, navega numa acústica pensada, sonorizada dentro do terço que se enrolou entre os dedos para confessar um desejo dentro do forro dentro da vértebra que suporta o esqueleto – parte de mim, invertebrado, quieto, mudo; parte de mim a despir-se.
Afinal, quem és tu? Quem, sob esta luz azul das memórias do verde? Do tempo – estaremos, como alguém escreveu um dia - em busca permanente: o fáustico nele: o não resolvido.

terça-feira, junho 05, 2012

Textos Correntes #5

Atravesso-o até ao outro lado: espelho teu, espelho teu.
Vim de longe e ao perto me encontro – a mão no espelho; espelho teu, espelho teu.
Diz-me, queres um substituto? Espelho teu, espelho teu, há águas mais espelhadas que as tuas? Que cova é esta? Que ponto negro é aquele? Como amplias, diminuis, invertes, desapareces? Com que golpe de óptica te orientas pelos focos?
Poço teu, poço meu, deixa-me ser teu, agora que cambaleio pela lente feliz e atordoado pelo sol no espelho – a luz a cegar momentaneamente os olhos: a reflexão rápida num gesto de ângulos quase rectos.
O esforço da verticalidade, contra a gravidade. Uma cascata no verão – a força desmedida que não conteve o prisma difusor; espelho teu, espelho teu, debruço-me, por favor.
Vejo um lago em vez do oceano. Não sou o mesmo. Guarda-te a luz numa caixa e constrói uma estrela com o seu calor. Porque é que és mais que um espelho? És? Se não, porque não poderás ser? Não reflictas agora, espelho teu, espelho meu. Há mais lados.


sexta-feira, junho 01, 2012

Textos Correntes #4


Acorda e acende um cigarro, "bom dia".
Deixa um bocejo ao lado da almofada e fala da vida à janela, diz que os amores são rudes, e maiores que a vida.

Ouve cantar enquanto mergulha num mar de fogo no duche, que os canos lhe rebentam o corpo mal abre a torneira, e nada na posição vertical, a ocidente e de frente para os azulejos em vapor, em competição imaginária: braçadas fortes no ar, cortando os jactos de água, dispersando salpicos em todas as direcções.
Em posição simétrica com o mundo, massajando o cabelo. Conversa consigo mesmo e seca-se na toalha, que lhe descama as células a mais.

O amor é rude, mas útil. A paixão viola. O desejo é volátil. São estas as suas condições. Torra o pão do dia anterior. Entreolha-se ao espelho. Revê, por instantes, a almofada.