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segunda-feira, maio 07, 2012

Frágil

Éramos jovens, conscientes; do tasco até à rua e por ela a descer, e a ensaiar uma atitude - era tudo dali para o inferno, e o resto que se foda. Era tudo cheio de possibilidades.
A rir, a ensaiar passos sem compasso ou então criteriosamente forçados, mas dispersos na loucura da liberdade dos movimentos da quase-dança sem a música de fundo: só para respirar e reparar nisso, só para rir, só porque nos tínhamos acabado de conhecer e a Rua Garrett era o mundo.
Éramos pulsos da discoteca, a alma das águas a lavrar a tampa do esgoto, o ar entre as grades, a preguiça que não obedece, o chuto no papel amarrotado em bola. Éramos a leveza sustentada pela despreocupação, o esquecimento do medo, o desafio desdentado, o sangue fervido, o desprender da corrente sem relógio, caídos na nossa graça e subidos aos céus pelas clarabóias estilhaçadas, baloiçando de estrela errante em estrela errante.
Não nos podíamos demorar num só sítio, e uníamos as distâncias a partir as réguas de madeira, e amávamos loucamente as noites como se não houvesse dias, e chorávamos agarrados à pele, e não queríamos saber. E ver-te nessa fotografia deteriorada, sem nunca te ter realmente conhecido, mas ainda assim e de alguma forma, namorado - e subir os olhos ao tecto, fechar os olhos, e, por esta vez, não ter que implorar a limpeza e alívio das lágrimas – ouvir, não ver, e sorrir ao chorar, feliz.


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