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quinta-feira, abril 26, 2012

Textos Reunidos #7

A cinza dos dias e o frio que vem do vazio no centro do mar acorrem à beira destes dias moídos até ao pó; e delicadamente soprando bolas de sabão do topo dos castelos de areia para as nuvens, dá-se lugar à cortina do sol por entre os poros da pele - para que a camada cicatrize e nesse ardor se cure a temperatura salgada das florestas no alto do penhasco sobre o pescoço.

Há voos que levantam asas, e com elas quero dar-te todas as palavras, incluindo as por inventar; no vento manso e quase morno a acorrer à beira das cidades de onde fogem as aves, à procura do topo das montanhas para de lá para lá nos lançarmos, com elas, metidos em nós, mesmos, próprios; com a imagem da lonjura das estrelas cravada nas costas das consciências. E o lugar ao sol: por entre os poros da pele - as estradas sanguíneas, com as penas exiladas por todo o céu.
Esta noite sonhei contigo, e consegui acordar.
Esta manhã tinhas regressado porque, sem eu me aperceber, fora finalmente provada a devoção. Uma dessas coisas com prazo de validade, que pela fuga e afastamento se cristalizam na perfeição sempre perdida; mais uma dessas coisas.
Estavas ali, sem qualquer explicação tua; pela primeira vez realmente confortável na confirmação dessa devoção, ou chama-lhe loucura - que a paixão despe. Como se fosse possível teres-te apaixonado. Como se de repente tivesse destrancado, sem precaução, a memória - e as coisas fossem novamente o início.
As vidas que se tinham passado entretanto tinham sido uma eternidade breve; estavas ali, com um braço e mão apoiados no capô do carro, a outra no bolso, à espera, e as chaves na ignição e o sorriso entre o retrovisor e a cara. Depois o círculo de luz artificial afunilou-me para o objecto não identificado e levou-me para as florestas de rocha, cravadas na lonjura da terra, sobre um mundo já muito velho e desolado – o exílio na noite interminável ao abrigo do desconhecido.

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