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sábado, abril 14, 2012

Textos Reunidos #6

Existe, algures no tempo, uma legião interplanetária de faunos que constrói a máquina de som para mover as pedras inertes; para moldar a realidade à nossa distorção sensitiva, amplificada e tornada tornado de vontades. No sítio onde os selvagens se civilizaram em mitos adiantando o peito à frente, ao vento das agulhas no ritmo da dor domada - perderam o medo; e o sabor, o sabor das palavras a engolir os frutos silvestres cor do sangue esborratado pelos mundos: entregues às bocas que contêm os terramotos.

Existe algures no tempo uma estrada onde perdemos as cabeças que encontramos, onde reencontramos as perdas nas cabeças quando nos perdemos, onde traçamos, com os pés pelas mãos, a bruma das madrugadas congeladas no alcatrão e onde o vento nos espeta as agulhas da poeira dos terramotos do céu – as nuvens a recortar o castelo ao longe no serpentear do caminho fazem-nos existir algures num tempo, numa estrada, onde encontramos o vento congelado, e o apertamos levemente com a mão até a neve ser água, e a cabeça debruçar-se para ver-se reflectida no espelho rachado nessa poça em concha, e deixá-la pingar para o alcatrão até abrir os buracos por onde rebentam os dias nas árvores, nas rotas do sol.

Já é dia, bem dentro da noite, num mal convertível à nossa moeda de chumbo e prata, miraculosamente desfeita em sopa quente e saborosa das raízes das estrelas ao fundo do mar frio - e quando dormimos, deslocam-nos a cama pelo céu até um planeta distante onde ficamos entregues aos cuidados de um calor reconfortante, que nos empurra de volta para a noite no dia seguinte, dentro destes minutos.

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