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domingo, abril 29, 2012

Falar é fácil

Há pessoas que nos atropelam a falar.
Há as que falam falam falam e não deixam falar.
Há as que só se ouvem a si. Há quem finge ouvir. Há quem finja falar.
Há as que dizem por nós.
Há as que cumprimentamos, à noite, ou até de dia, e não nos deixam acabar de cumprimentar, já vão "de saída" - porque o que temos a dizer, ou não lhes interessa absolutamente nada, ou é completamente fora, e têm mais que fazer. Ou então, estão acompanhadas...
Há as que falam mais que as mães.
Há as que dizem tudo.
Há as que dizem o que lhes convém.
Há as que quando dizem, cantam; ou dizem a cantar, e podem não estar bêbedas.
Há as que nos querem ouvir, completamente, e nos querem cumprimentar, e sorriem, mas ficam ali no seu canto, nas suas palavras por sair.
Há as que dizem muito, e depois percebemos que não disseram nada.
Há as que falam só connosco, ou que são capazes de passar uma noite a falar, connosco.
Há as que cumprimentam para falar, mas que evitamos.
Há as que já falaram mais. Ou demais.
Há as que se cansam ao falar.
Há as que dizem sem dizer.
Há as que não nos deixam sem resposta.
Há as que não falam.

sábado, abril 28, 2012

Textos Correntes #2

É tão simples quanto dizer que não estou apaixonado, ou que é o amor que nos salva da vida; e assim, talvez sobreviva.
É tão fácil lembrar-me de quando dancei contigo, quase sem dançar. É tão obrigatório como abraçar outras vezes, outras pessoas, sem peso nem medida, e saber que cada caso é um caso, e que é tão simples querer ser livre, querer ser sentido, querer ser ouvido, exigir ser; e ter a cabeça compartimentada em prisões; e o corpo anos atrás, ou meses, ou instantes; ou à frente. Desfocado.
Mas sou só mais um que queria ser sobretudo inocente, e mais disso do que de ingénuo. Como sendo possível caminhar naturalmente no ar, no céu.

State of

quinta-feira, abril 26, 2012

Textos Correntes #1

À exaustão, ao caminho pelas pontas desfeitas. Empurrar-me para a fronteira, forçar o limite na abertura de exposição destes sentidos; petrificado numa tarde ao cinzeiro - que o sol, com os seus braços centrifugadores de violetas de camas de fogo, com os seus rastos de capilares contorcidos nos vincos do linho aquecido, distrai a percepção da matéria azul dos sonhos.
À contracção, na desorientação – que não posso querer nada senão a tabacaria, senão encher-me de anti-mundo, do individualismo desoxirribonucleico – e cruzar os braços e manter-me impassível contra a tempestade de tintas quase filosóficas, mas a favor – o sabor enferrujado da lâmina na língua, e o corte do papel impresso e agrafado desde o lobo frontal até à lanterna apontada aos olhos, de dentro do lobo occipital para fora, às cavidades onde a beleza se esconde – procurá-la na ânsia destes sentidos, na memória que nunca nos dirá uma só verdade, no desatar do acto imóvel que é soprar a cadeia nervosa para atear um fogo congelante.

Textos Reunidos #7

A cinza dos dias e o frio que vem do vazio no centro do mar acorrem à beira destes dias moídos até ao pó; e delicadamente soprando bolas de sabão do topo dos castelos de areia para as nuvens, dá-se lugar à cortina do sol por entre os poros da pele - para que a camada cicatrize e nesse ardor se cure a temperatura salgada das florestas no alto do penhasco sobre o pescoço.

Há voos que levantam asas, e com elas quero dar-te todas as palavras, incluindo as por inventar; no vento manso e quase morno a acorrer à beira das cidades de onde fogem as aves, à procura do topo das montanhas para de lá para lá nos lançarmos, com elas, metidos em nós, mesmos, próprios; com a imagem da lonjura das estrelas cravada nas costas das consciências. E o lugar ao sol: por entre os poros da pele - as estradas sanguíneas, com as penas exiladas por todo o céu.
Esta noite sonhei contigo, e consegui acordar.
Esta manhã tinhas regressado porque, sem eu me aperceber, fora finalmente provada a devoção. Uma dessas coisas com prazo de validade, que pela fuga e afastamento se cristalizam na perfeição sempre perdida; mais uma dessas coisas.
Estavas ali, sem qualquer explicação tua; pela primeira vez realmente confortável na confirmação dessa devoção, ou chama-lhe loucura - que a paixão despe. Como se fosse possível teres-te apaixonado. Como se de repente tivesse destrancado, sem precaução, a memória - e as coisas fossem novamente o início.
As vidas que se tinham passado entretanto tinham sido uma eternidade breve; estavas ali, com um braço e mão apoiados no capô do carro, a outra no bolso, à espera, e as chaves na ignição e o sorriso entre o retrovisor e a cara. Depois o círculo de luz artificial afunilou-me para o objecto não identificado e levou-me para as florestas de rocha, cravadas na lonjura da terra, sobre um mundo já muito velho e desolado – o exílio na noite interminável ao abrigo do desconhecido.

quarta-feira, abril 25, 2012

José e Pilar... e José e Cecília; como ar livre no terror do mundo.


"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda."

"A democracia é uma realidade que não existe. Quem verdadeiramente manda são instituições que não têm nada de democráticas, como é o caso do Fundo Monetário Internacional, as fábricas de armas, as multinacionais farmacêuticas".

É o 25 de Abril, ...!

Fotografia de 1963

"Ministros, flores, fitas e criancinhas rodeavam sempre Tomás nas milhentas "inaugurações" que fez por esse país fora, inaugurações quase sempre ridículas e de fachada que unicamente serviam para encobrir a real miséria do nosso povo."

segunda-feira, abril 23, 2012

O slideshow mais bonito à face do youtube

Lembras-te das estrelas?
Enganchamo-nos pelos corpos unidos,
E a estratosfera aproxima-se;
Há coros dentro dos sinos
Suspensos no cenário,
Lá em baixo
Onde as cores ecoam.


"Here
Beginning or end
When it's all gone
Why should I pretend
Oh these days
Will never come back
Do you remember
Or did you forget
Losing with every step I take
Losing with every move I make
Turn into everything I hate
Losing with every move I make
Looking at the stars
Must be a reason
Why our hopes feel lost in the cold
For every season
Looking at the stars
See that they move on
'Cause I'm not sure if you miss me
I move on
I go on
Carry on
Here
Beginning or end
When it's all gone
Why should I pretend
(why should I pretend)
Oh these days
Will never come back
Do you remember
Or did you forget
(or did you forget)
Losing with every step I take
Losing with every move I make
Turn into everything I hate
Losing with every move I make
Looking at the stars
Must be a reason
Why our hopes feel lost in the cold
For every season
Looking at the stars
See that they move on
'Cause I'm not sure if you miss me
I move on
I go on
Looking at the stars
Must be a reason
Why our hopes feel lost in the cold
For every season
Looking at the stars
See that they move on
'Cause I'm not sure if you miss me
I move on
I go on
Carry on
Carry on
Carry on
Carry on
Looking at the stars
Must be a reason
Why our hopes feel lost in the cold
For every season
Looking at the stars
See that they move on
'Cause I'm not sure if you miss me
I move on
I go on
I go on
Carry on
I go on
Carry on"

Depois da tempestade, a bonança

"Num sótão onde fui trancado, tinha eu doze anos, fiquei a conhecer o mundo, ilustrei a comédia humana. Num celeiro aprendi a história. Numa qualquer festa nocturna, numa cidade do Norte, encontrei todas as mulheres dos pintores passados. Numa velha galeria de Paris, fui introduzido nas ciências clássicas. Numa mansão magnífica rodeado pelo Oriente inteiro, realizei uma imensa obra e passei uma reforma ilustre. Revolvi o meu sangue, de lés a lés. Foi-me reconhecida a missão que me cabia. É ponto assente, e do passado. Pertenço realmente ao mundo trespassado, chega de mandatos."

 

sábado, abril 14, 2012

Textos Reunidos #6

Existe, algures no tempo, uma legião interplanetária de faunos que constrói a máquina de som para mover as pedras inertes; para moldar a realidade à nossa distorção sensitiva, amplificada e tornada tornado de vontades. No sítio onde os selvagens se civilizaram em mitos adiantando o peito à frente, ao vento das agulhas no ritmo da dor domada - perderam o medo; e o sabor, o sabor das palavras a engolir os frutos silvestres cor do sangue esborratado pelos mundos: entregues às bocas que contêm os terramotos.

Existe algures no tempo uma estrada onde perdemos as cabeças que encontramos, onde reencontramos as perdas nas cabeças quando nos perdemos, onde traçamos, com os pés pelas mãos, a bruma das madrugadas congeladas no alcatrão e onde o vento nos espeta as agulhas da poeira dos terramotos do céu – as nuvens a recortar o castelo ao longe no serpentear do caminho fazem-nos existir algures num tempo, numa estrada, onde encontramos o vento congelado, e o apertamos levemente com a mão até a neve ser água, e a cabeça debruçar-se para ver-se reflectida no espelho rachado nessa poça em concha, e deixá-la pingar para o alcatrão até abrir os buracos por onde rebentam os dias nas árvores, nas rotas do sol.

Já é dia, bem dentro da noite, num mal convertível à nossa moeda de chumbo e prata, miraculosamente desfeita em sopa quente e saborosa das raízes das estrelas ao fundo do mar frio - e quando dormimos, deslocam-nos a cama pelo céu até um planeta distante onde ficamos entregues aos cuidados de um calor reconfortante, que nos empurra de volta para a noite no dia seguinte, dentro destes minutos.

segunda-feira, abril 09, 2012

Suffer well...

"O budismo, ainda uma vez, é cem vezes mais frio, mais verídico, mais objectivo. Já não precisa de preparar a sua dor, a sua faculdade de sofrer, pela interpretação do pecado; diz simplesmente o que pensa: «Eu sofro.» Para o bárbaro, pelo contrário, sofrer não é nada que convenha: precisa primeiro de uma explicação para confessar que sofre (o seu instinto leva-o antes a negar o sofrimento, a suportá-lo em silêncio). Neste caso, a palavra «Diabo» foi uma coisa boa: tinha-se um inimigo preponderante e terrível – não havia necessidade de se envergonhar por sofrer com um tal inimigo.
No fundo do cristianismo há algumas finezas que pertencem ao Oriente. Antes de mais, ele sabe que é absolutamente indiferente em si que uma coisa seja verdadeira, mas que é da mais alta importância que se julgue que é verdadeira. A verdade e a fé em alguma coisa são dois mundos de interesse absolutamente afastados um do outro, quase mundos de oposições – chega-se a um e a outro por caminhos radicalmente diferentes. (…)
Se, por exemplo, o saber-se salvo de um pecado dá a felicidade, não é necessário, como condição, que o homem seja culpado; o essencial é que se sinta culpado. Mas se, de qualquer modo, a fé é necessária acima de tudo, tem de se desacreditar a razão, o conhecimento, a investigação científica: o caminho da verdade torna-se caminho proibido – a esperança intensa é um estimulante muito maior para a vida do que qualquer outra felicidade que se realize. É preciso apoiar aqueles que sofrem com uma esperança que não possa ser contraditada por nenhuma realidade – uma esperança que não possa realizar-se: uma esperança do além. (Por causa desta faculdade de fazer sofrer o infeliz, a esperança era considerada pelos Gregos como o mal dos males, como o mais astucioso de todos, aquele que ficou no fundo da caixa de Pandora.) – Para que o amor seja possível, Deus tem de ser pessoal; para que os instintos mais baixos possam fazer parte do jogo, é preciso que Deus seja jovem. Para o fervor das mulheres pôs-se um belo santo em primeiro plano; para o dos homens, uma Virgem Santa. Isto se o cristianismo se quiser tornar senhor do terreno onde o culto de Afrodite e o culto de Adónis tinham já determinado a concepção do culto. A reivindicação da castidade reforça a veemência e a interioridade do instinto religioso – a castidade torna o culto mais quente, mais entusiasta, mais intenso. O amor é o estado em que o homem mais vê as coisas como elas não são. A força ilusória encontra o seu grau mais elevado, o mesmo acontecendo com a força adoçante e com a força glorificante. Com amor, suporta-se mais, tudo se sofre. (…)"

domingo, abril 01, 2012

Loving The Albums (II)

*****Crítica Quantitativa de Alguns Álbuns de Gajos (e Gajas) que Gosto e Oiço Bastante/Regularmente (Antigos e Recentes) Actualmente, Após Algumas ou Muitas Audições, Porque me Apetece Pô-los em Números, e Sem Mais Explicações*****
PARTE I
I:
The Clash, "London Calling" - 10/10
The Clash, "Sandinista" - 8/10
António Variações, "Dar e Receber" - 8/10
António Variações, "Anjo da Guarda" - 8/10
Animal Collective, "Sung Tongs" - 7/10
Animal Collective, "Feels" - 7/10
Animal Collective, "Strawberry Jam" - 7/10
Goldfrapp, "Felt Mountain" - 9/10
Goldfrapp, "Black Cherry" - 8/10
Goldfrapp, "Supernature" - 8/10
Goldfrapp, "The Seventh Tree" - 6/10
Goldfrapp, "Head First" - 6/10

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