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segunda-feira, março 19, 2012

Textos Reunidos #5


 
Somos adolescentes, somos austeros, semeamos tormentos e colhemos, primitivos, a lua com as mãos - quando cai aos nossos pés, e penduramo-la assim, novamente, outra vez, mais uma vez, pela primeira vez, segunda, à terceira vez, sempre, do início ao fim e no recomeço - insaciavelmente, aos choques, por tempos incertos e com todas as suas sombras nas nossas, ao pescoço.
E o seu peso é o de uma pena chumbada pelo tiro de uma noite à procura de uma resposta – tão simples como o silêncio. Tão escusada como a pergunta retórica que faz nascer a dúvida do silêncio, e na lua, a pena: e na pena, a dor, e na dor a segunda noite, e a terceira, por aí fora - à espreita das luas connosco. Depois? Depois amanhece.

Somos adultos, somos austeros, escusamo-nos da exploração profunda do sentido das palavras, cada uma mais vã que a outra; recolhemo-nos complexos no abrigo dos pensamentos cuidados – na devida precaução anterior a cada momento delineado. Procuramos praticar a teoria do pragmatismo dos sóis no bolso e medimos o tempo criteriosamente, de forma a não perturbar a correnteza necessária ao avanço nos dias. Penduramos o sol ao pescoço e acendemos a luz na ficha. As sombras arrefecem-nos o cérebro e congelam os projectos até ao dia seguinte – raiam por tempos incertos. E o peso do sol é o do mundo aos ombros e o de uma bola de neve de inferno, enérgica, que nos encerra o fogo brando e electrifica o corpo aos sinais mínimos, respondendo-nos por fim às perguntas da infância e da adolescência – criando-nos na nossa bolha de respostas e reacções. E esse peso faz envelhecer a força da dúvida – e na dúvida da força, o silêncio, e no sol, as pontas queimadas, e nessas cicatrizes a dor, e na dor, o segundo dia, o outro, mais um, mais outro, só mais um – o sol a cair ao chão pelo bolso roto. Depois anoitece.

As noites dormem durante os dias e acordam tarde num amanhecer limpo pela chuva.
Há outra hora além daquela em que os passageiros se revelam na química das gotas de pó de vidas sem pensamentos pesados?
Há vida para além de nos rod(e)armos em panorâmica debaixo de um padrão de realidades crentes no milagre de celestiais ficções das cordas focais, que cantam o fantástico?

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