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quarta-feira, março 14, 2012

Textos Reunidos #4

I’m the one, i’m the one, i’m the one… love me, love me, love me.
Um sintetizador de voz atende à chamada do naufrágio prevenido e, no holograma das frequências, espectros de raios de todas as cores reagem acendendo pontos vitais do altar espacial cromado, enterrado na sua inteligência artificial, para então sugar os espaços intersticiais e as bolhas de oxigénio - e digitalizar, num circuito poeirento, os rótulos da paixão amorosa como a conhecemos. Repeat after me: i wish i were in love again, i wish i were in love again, i wish i were in love again.
Love is just a 4 letter word. Somebody to love. Over & out.
In & out, in & out, in & out.
Check. 1, 2, 3, 1, 2, 3…
O teu oxigénio de beco sem saída a infundir-me como um veneno corrosivo essencial à respiração ofegante da catarse salgada no jorro das ondas rebentadas. Onde podemos enlaçar torpedos e enterrar-nos simples, duramente, no prazer do movimento num soalho de areia à beira da cidade para lá dos penhascos erodidos, das dunas abandonadas aos assaltos e à limpeza do vento e da força do bater das águas sujas durante as noites, as que trespassam de vida fértil e extasiante todos os corpos no caminho.
Contra-sentimentalista e sentimental, a trilhar o espaço até ao sorriso que seja quente e mais próximo, como o foi, por onde me banhar, enganar, e ensurdecer das fórmulas resolventes do calendário dos anos arrancados ao malmequer, escrito a tinta de girassol – para estar apenas e só no momento na fronteira entre dias indeterminados, num espreguiçar ao sol.
E encontrar na sombra o riso imigrado na tua cidade, em pele de cão vacinado à espera de festa, da do mundo de que me vou construindo e reconstruindo.

Há um infinito audível contabilizado com uma fita métrica desenrolada a par e passo do tempo absoluto: medida tirana e comandante da matéria. Há uma fórmula para cada palavra ouvida, harmonia de relevos sonoros a roçar o tímpano, e as conjugações das letras de que o mundo se constrói são finitas como as altas torres erguidas num tabuleiro de jogo viciado nos cruzamentos aleatoriamente lançados pelo acaso e, menos aleatoriamente, pela força da naturalidade da realidade, exposta à nossa intervenção e invenção.
Há para nós, as letras e as palavras - as aritméticas da comunicação, uma direcção ao portal guardado por olhos de um animal omnipresente, rasurando as linhas e as entrelinhas com as patas dianteiras, faiscando pelos olhos os sentidos iluminados, e obscurecendo a memória com as patas traseiras em movimentos-golpe que vêm das frentes das ondas para as marejadas costas das finitudes. Escava e esculpe aquele osso que falta repetida e novamente, para então o atirar a cortar o som do vento e a serpentear pelas falhas do conhecimento do infinito – o impossível e o desconhecido - até cair novamente na derrota dos nossos braços e escorrer pelos nossos dedos, em pó, ou afundar-se indecifravelmente nos oceanos.

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