all about me...:

site

livejournal

flickr dccplay

flickr dccplay2

blip.fm

tumblr

soundcloud

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Textos Reunidos #2

Há nas reacções, quando o foram, são ou serão, quando penso que só o podem ser, uma tentação quase selvagem de suposições que se acossam por desejos aliados de persuasões. Porque tão antiga é a contínua e lenta evolução humana, quanto perene parece ser uma inexplicabilidade tangível de um conceito perpetuamente violado: a liberdade. A condição, se aplicada à luz dos pensamentos, encarcerados na química entre a física, e também, muito, nas experiências, deveria começar por querer ou procurar dar a liberdade ao que a si mesmo e/ou aos outros não dá, não tem podido ou poderá dar.
__
Se a música dançada (mental ou corporeamente) é um abandono - um escape possível, saudavelmente livre de impostos ou imposições (porque só dança na irrealidade da realidade, o que seja ou como for, quem verdadeiramente quer e sabe que não quer saber de mais nada durante esses instantes) - não deixa de ser também uma entrega, aos sentidos e às sensações, às direcções. Uma vaia aos males – os problemas: com incertezas e indecisões que se param nos dias e noites e nos atam os passos num entorpecimento que vai calando ou gritando.
Falo por nós, mas "sempre de mim" (ah, fadista…).
É fuga e/ao encontro dos instintos e dos impulsos, a descarga impulsionadora, o movimento pelo movimento também, o aceno súbito à posse de uma liberdade, fugazmente nossa, que a temos, nessa aparência da sensação - que a praticamos a sós e em conjunto; especialmente se vivida sem complexos, rodeada de nós mesmos dentro dela.
__
A inspiração no ocaso e a expiração pesada, com o fôlego do dia planificado nos olhos sujos, na indecisão do passo fora do trapézio; a fatalidade chicoteada com salpicos de prata em fogo. Fora do espaço, dirigimo-nos pelos remos embrutecidos das caravelas aéreas, lado a lado com os dragões-papagaios, por entre as torres de controlo dos antepassados dos sete impérios, rumando à meta das argolas olímpicas, entretecidas nas ilusões do outro ouro - aquele por cortar numa arte desorientada de salto de tigre. Depois ejectamo-nos a fundo, à gravidade sustenida nas bolhas de oxigénio dos oceanos, de regresso à forma primitiva – suspiramos suspensos, engolimos e regurgitamos ao sabor das ondas de acasos, até darmos às costas dançadas, escritos na areia e estilhaçados entre as conchas.
__
E esbater todos os defeitos das pessoas nos outros excessos, e na excessividade pelas cores - exceder, com elas, o espectro visível dos tons audíveis, em crescendo saturante, replicante, ...suplicante, da reciclagem à beira-lua, quando o escuro engole o claro e a negritude destapa cortinas, e o sol gira à volta do mundo num universo perpendicular de dimensões desproporcionadas. E essa lucidez na fronte, e uma loucura como refúgio. Ao movimento, com a cortesia do pesar leve pelas luzes dentro.
__
Vaguear a mão dócil, mas dissipada, das luzes para dentro - tactear lentamente este Março que não oiço chamar-me; abandona-se Fevereiro neste ano, assim traçada a construção do tempo na indolência de outro dia a mais, como por magia – a matemática da história. Por agora, ao deus do descanso.
Recolher-me-ei ao nó na circunferência, apertado àquela linha que conferencia com a outra e se disforma em duas, falantes e à distância. Ao refúgio sobre a cama, desajeitando-me num leito calado, e desmanteladas as veias de um piano de teclas urdidas pelas superiores instâncias das cores – o seu classicismo derramado nas borras do café pisado no chão moído, farpado. E cada farpa conduzida por linho de marionetistas, eles, nós, segurados na abóbada do firmamento: não vejamos os horrores além dele. Para que, como por magia, a mão desperte e contorne o calendário vigorosamente, e a chave-selo carimbe o passaporte para uma cela mais bonita, mais tua, minha, mais nossa.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo do blogue