all about me...:

site

livejournal

flickr dccplay

flickr dccplay2

blip.fm

tumblr

soundcloud

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Textos Reunidos #1

Há uma vertiginosa espiral cuja força centrípeta faz implodir a montanha cada vez que o interior se alastra ao exterior e vice-versa. A refracção aumenta na proporção da densidade de expressão, e, quanto maior a impressão, maiores os atritos colaterais. O interior e o exterior da montanha complementam-se na soma e na forma, para depois se anular, também por essa força, dispersiva dos saberes e dos sentidos num descontínuo de luzes que se acendem e apagam, fazendo-nos entrever um recorte de horizonte espaçoso.
__
Esta pista tem sido feita num círculo de incompleta sinalização e fronteiras esboçadas, em que os carris são arrancados à passagem e onde mãos cortadas e entrecortadas se multiplicam, intensificam e continuam a abrir caminhos, resistindo e serpenteando terra acima, terra abaixo, escapando dos remoinhos afogados à vista. Esta espécie relativamente indefinida de terra láctea, nas raízes dos espaços trespassantes das estrelas, vai escrevendo com pés na lua e dedos macios, miragens sonoras de verbos tornadas centros gravitacionais.
__
Há uma musculatura enfeitada de versos que se encarna nas fraquezas e as ampara numa armadura de mil sedas. Bebe da energia eólica das ondas linguísticas solidificadas nos corpos, perfeitos e voláteis como a música, e como um vampiro ao sangue, para depois as cuspir em água límpida e de fogo, como um saltimbanco a domar mil dragões no ar.
__
Olhar os caminhos para atingir os destinos por espaços inventados nos panoramas das cores vivas e inexplicáveis.
Pelas avenidas e à medida dos passos e pássaros, deixando o rasto de nós mesmos, principalmente quando nos perdemos - é aí que nos multiplicamos em sombras rodando sobre si mesmas, à procura da firme orientação do corpo na terra e nos espaços criados e desejados. E encostar o ouvido ao peito de gravilha e molhar as mãos no alcatrão.
__
Esta rua é crescente e estende-se à procura de ti por um peito aberto agarrado à pele fogo da cabeça à linha-terra, espiralado e cadente, saindo para um futuro nosso, exterior e lavado pelo caminho do rio tortuoso dos pomares das maçãs, limões e romãs - a acidez, amargura e doçura dos ventos que espalham, levam e trazem sementes da lua ao sol na clave da pauta. Os intervalos de ré a mi, e mais além, na pausa: porque nos quero marcados numa travessa em contornos de travessia, perscrutando os lemes em ecogramas manuais. Nos mapas sem legendas e às nossas escalas. Encostados às palavras e, por fim e por início, pô-las nas bocas tal como as construímos.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo do blogue