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domingo, dezembro 05, 2010

Texto (de/para hoje)

É hoje. É hoje. Foi hoje. Foi amanhã. Será quando puder ser.
Que me enterrei na água-lama, folheada entre margens das ruas curvas. Calejando-me a marca de água na planta do pé, transbordando-me numa braçada a escoar até ao outro lado. Até ao lado do tempo bom, achado no perdido, na despedida tímida do saberemos que não nos voltaremos a ver e nem sequer percebemos como nos vimos. Porque vimos com as mãos e com as mãos nos vimos, com os olhos das mãos através da parede, e por momentos não pensei em ti. Nem em ninguém. Noutros momentos pensei em ti e em mais alguém. Depois deixei de pensar. Alguém que nasceu e vive, mas ainda não existe. Não me existe. Falta só existir completamente para existir. O ser sumo na pessoa da carne. No livro de sangue e seiva - partitura proteica que alimenta um código bioquímico. Como um trovão despejado em água e a pegar fogo ao fumo. Como a lança da capa sobre a labareda a atenuar a faísca. Devorando a partícula neste lado, no escoar da temperatura do pé frio, amaciado numa toalha quente de vapores e cinzas. Em mim próprio e na relação comigo com outros que tenho com outros comigo, comigo mesmo, de mim para mim, ti, e de volta para mim.

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