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sexta-feira, dezembro 31, 2010

"Escritas" amarrotadas agora recicladas

Bom 2011.
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Esta rua de si crescente
Estende-se à tua procura,
Enrola-se em pano molhado
Num peito mastro ateado
Agarrado à pele fogo
Desaguando um fio de morfina
Num rio do sangue a cadência
O som leva e traz
De ré a mi, a mim o sol faz
Trancado em pauta esboçada.
Esta travessa é travessia
Atravessa a brisa cortante
Nos contornos dos charcos
Ouve-se do alto a tecelagem
Na cauda grave desliza um dedo
Da janela a vida em vultos
O encontro dentro de nós
Emaranhados nos minutos
Que duram e faltam.

Corpos troncos emanam calor
À atmosfera - litosfera lilás,
Sensação ascendente
Crescente em si,
Malabarismo soprado às frentes
Às ondas linhas imaginações
Tecidas em semínimas e colcheias
A tempos nos compassos
Ternos, breves compassos
Pontuados entre as nervuras
O mar suspenso na escala.
Os dezembros cinzentos
A agulha no disco
As rotações vagarosas
Horas vagas em mim mesmo.

A claridade no corpo de pedra:
Raiz funda escavada pesada
Das buganvílias e fantasmas
Nos olhos
Nos parapeitos
Diante da maré sensorial
Abrem-se sombras ansiosas
Esbatendo-se nas demoras.

Um começo a cada começo
A pauta puxada a branco
Sacudindo o pó
Perscrutando o agora:
Combustão morna de caules
Por onde te trepo
Quando chegares e não partires
Que ainda não me viste
Continuando por entre vidas
Na textura das carnes vivas
E que estou aqui
Musgo na cal
Sob chuva incendiária
Agarrada ao peito
Escusado do resto
Um movimento mais e sou pó.

terça-feira, dezembro 21, 2010

When i rock & roll with me

Para poder ouvir isto, body and soul, troco-me as voltas e imagino que a vida é assim e que vivo numa música assim, e que assim aqui estou.

sábado, dezembro 18, 2010

Assim

Equilibrando-me num trapézio vomitado puxei-me pela escada de corda que se estendeu do alto ao som das hélices do helicóptero.
Num sonho. Ia para longe e deixavas-me lá.

domingo, dezembro 12, 2010

Já somos dois, Lillian!

An Affair To Remember

Peguemos em "An Affair to Remember".



O que é que temos? Passo a dizer, sucintamente, de minha justiça:
(-S-P-O-I-L-E-R-)
Um artefacto datado bordado a champagne rosé. Era tão bom que o amor correspondesse a este arquétipo: gostar de "coisas belas", viajar no barco e ter as duas faces da personagem de Deborah Kerr: inicialmente não menos que estrondosa, acutilante e de uma impenetrabilidade admirável, até se "deixar cair" nos braços da avó do personagem de Cary Grant num mundo perfeito, pequeno e entre limitadas fronteiras, mas perfeito. Até se despedir dele (Nickie Ferrante). Como que se transforma. Toda ela "delicodoce". Uma dama noutras roupagens, frágil e à espera.
A avó que toca piano e fala francês, que lhe, digamos, pega num coração de chocolate com licor e a ela e nós "manipula" ternamente. Temos um filme que é acima do resto - os gags no geral (uns melhores, outros piores do que piores), o "ligeiro" olhar sobre a fama e o preço - e do irrisório, um acontecimento dramático: o desencontro. O amor cegou-a e olha para o céu esperando casar-se lá. É atropelada. O novelo desenrola-se tendencialmente "quase-sopeiro" a puxar-nos os cordelinhos que poderão haver de hiper-românticos incuráveis, como se houvesse coisa desta fora dos filmes e livros de bordados rosa. Não sei se não era escusado estender-se daquela forma até ao suplício (perante tentativa de sufoco) da comoção de um turbilhão expectável provocado pelo desenlace vigoroso e apaziguador. Enfim, tudo está bem quando acaba em bem.

sábado, dezembro 11, 2010

M.Y.

"Um pé na erudição, outro na magia, ou, mais exactamente e sem metáfora, nesta magia simpática que consiste em nos transportarmos em pensamento ao interior de alguém."

terça-feira, dezembro 07, 2010

What would Mario Lanza do?

Já voltei: nada como uma lufada de transportes públicos para pôr a leitura em dia e aclarar as ideias e ideologias. Aqui há uns tempos estive na China, pelo Eça, agora tenho estado na Índia, pelo Aravind. 

Não sei o que é que o Lanza está a dizer na faustosa e bela cantoria que se segue, mas aposto que é só coisas boas, e disso eu gosto muito. O que é que o Mario Lanza faria se tivesse facecoiso? Voltaria a abrir murais tal janelas de par em par para entrar o ar? Participaria no grupo de fãs do Caruso desalmadamente? Aguentaria 24 horas ou mais, como eu - cravo de estóico providente das tradições sociais (ahahah) e ferradura de acérrimo defensor da expansão virtual até ao ponto da existência de inteligência artificial dominatrix (uhuhuh) - sem postar um ervilhinha sequer? Completei a fase 1 de 3, mas ainda não estou na 2, que é ficar um dia ou dois ou três sem abrir o bicho. É, de antemão, uma missão impossível, como uma tragédia de libreto em que as páginas são a arquitectura do interior de uma motherboard com os seus braços electrónicos estendidos a dizer: abraça-me. Vou deixar-me de ladainhas e repensar. Afinal de contas, a internet é a invenção do século XX, e dizem que está às beiras da falência ainda agora começámos o XXI, pois que as aplicações de telemóveis, tablets e outros aparelhómetros substituirão a rede como nós a vemos hoje em dia. Um dia direi: esmifrei tudo o que havia para esmifrar do facecoiso, e estarei feliz.

Pack de natal numa grande misturada

Hoje apeteceu-me sintonizar tangos ou guitarradas. Após minutos de pesquisa nuns confins de baú redescobri o Al Di Meola. Guitarradas jazzísticas a puxar pelo lado latino seja. Ouvi um bocadinho, nomeadamente uma coisa que é um expoente: Night Club 1960, às tantas deixei a playlist rolar e já ia no Paquito D'Rivera quando resolvi ir desencantar um álbum de 1999 que tem versão da popular Carol of Bells - diz que é história de uma andorinha, das ucrânias. Lindeza. Lamechices. Por outro lado, deve haver algum filme de terror que inclui isto na banda sonora, porque de alguma forma é para aí que a música me remete: um horror crescente burtoniano ou à la Nick Cave e o sino de Red Right Hand. Tipo, a mão que embala o berço, sei lá. O Jack Nicholson também ficava muito bem a correr pelos corredores do hotel atrás do pequeno com um machado, ao som disto. Depois fui dar com os Marretas. O meu favorito continua a ser o Animal. Agora vou ao Cais do Sodré tratar de um assunto e volto ao computador o mais tarde possível.



Post de mural(ha)

Cansado de me emaranhar no "facecoiso". Às vezes ponho-me embasbacado à frente do computador só a ver aquilo e quando dou por mim passou uma hora enquanto estive de olheiras pegadas com interesse relativamente desleixado e relaxado nas mensagens a cair na página inicial. Sem sequer botar um like, comentar que também fui ali fazer cócó, ou que aprecio mais a fotografia em que estás de pijama, etc. Isto é, puro deleite de entortar a coluna, passivamente, enquanto desvio os eixos visuais ligeiramente, para o colo, para descascar mais uma castanha.

Vou "dar-lhe um tempo". Ainda lá ando, mas é como se já não estivesse. É a tentativa de desintoxicação nr. 1000 e tal e troca o passo. Começa hoje. Não tenho muita confiança que resulte. Também estou cansado deste blog. Também estou cansado de todos os locais virtuais que são extensões de mim. Acho que estou cansado de mim. Acho que com a idade as coisas não melhoram, só passam mais rápido. 

Soprar numa ferida depois de se lhe deitar álcool ou água oxigenada faz sobretudo concentrarmo-nos no fôlego para passar a dor, não é o "vento" que ajuda a levar o ardor embora nem esse frio o suficiente para arrefecer uma coisa quente. Não custa nada. Antes assobiar e olhar para outro lado que para o facecoiso. Tenho sido facebookodependente.

É o problema de estar com tempo livre a mais. Não é que não tenha um projecto por iniciar, coisas para estudar e no que ir trabalhando, currículo por enviar. É só que me deixei viciar demasiado. Nos alcóolicos anónimos o primeiro passo a dar é a inscrição nas reuniões, é o admitir que se o é. Pois aqui faço o paralelo. Cá me encontram. Olá, acabei de chegar e tenho experiências para partilhar. Arranjem-me um rato e um teclado.



segunda-feira, dezembro 06, 2010

because right now you couldn't get out

No man is an island.

And there is no naïve continent.
Nada de novo. A sensação de que nada, de curto a médio prazo "mudará".

"Uma crítica realmente progressista do mundo deve, antes de mais, incidir sobre as desigualdades de acesso aos recursos de todos os tipos - desde os direitos até à água. Porém, as desigualdades não são apenas um problema técnico. Elas revelam e exarcebam o enfraquecimento da coesão social - o sentimento de viver em comunidades compartimentadas, que têm como principal razão de existir a exclusão dos outros (menos afortunados que nós) e a manutenção das vantagens para nós e para as nossas famílias. É esta patologia da nossa época e a maior ameaça que paira sobre a saúde de qualquer democracia. Se persistirmos nestas desigualdades absurdas, acabaremos por perder todo o espírito de fraternidade. A fraternidade revelou ser a condição necessária da própria política. Há muito tempo que se sabe que qualquer grupo humano assenta no sentimento, transmitido de geração em geração, de uma finalidade comum e de uma dependência mútua. A desigualdade não é apenas incómoda do ponto de vista moral: é também ineficaz." Tony Judt

Miss my cat

"O gato passeava aqui, ali,
E a lua girava qual pião
E, parente próximo da lua,
Furtivamente, o gato olhava o céu."
W.B. Yeats

domingo, dezembro 05, 2010

Texto (de/para hoje)

É hoje. É hoje. Foi hoje. Foi amanhã. Será quando puder ser.
Que me enterrei na água-lama, folheada entre margens das ruas curvas. Calejando-me a marca de água na planta do pé, transbordando-me numa braçada a escoar até ao outro lado. Até ao lado do tempo bom, achado no perdido, na despedida tímida do saberemos que não nos voltaremos a ver e nem sequer percebemos como nos vimos. Porque vimos com as mãos e com as mãos nos vimos, com os olhos das mãos através da parede, e por momentos não pensei em ti. Nem em ninguém. Noutros momentos pensei em ti e em mais alguém. Depois deixei de pensar. Alguém que nasceu e vive, mas ainda não existe. Não me existe. Falta só existir completamente para existir. O ser sumo na pessoa da carne. No livro de sangue e seiva - partitura proteica que alimenta um código bioquímico. Como um trovão despejado em água e a pegar fogo ao fumo. Como a lança da capa sobre a labareda a atenuar a faísca. Devorando a partícula neste lado, no escoar da temperatura do pé frio, amaciado numa toalha quente de vapores e cinzas. Em mim próprio e na relação comigo com outros que tenho com outros comigo, comigo mesmo, de mim para mim, ti, e de volta para mim.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Para um conjunto de frases

[Ocasos[

Ver, esperar, disparar. Ler. Esperar. Fotografar. Ver, disparar. Revelar, ver, conhecer. Pensar.
Andar pelos pés na cidade e tropeçar com compartimentos livres de ar livre. Foi um intervalo.

Lisboa, 3 de Dezembro de 2010

É clicar

quinta-feira, dezembro 02, 2010

quarta-feira, dezembro 01, 2010

28 anos - já?; só?; ainda?

for a day like today:

i wanna be sedated
relva
café
sol
café
terçolho
debts
café
carnies
santa claus
brasil
psicadelismo
28 anos - já?; só?
alegria
café
contra-mundo
contra-corrente
cli-clê-clô
ansiedade
cerveja
lombo de porco com ameixas
ac-cen-tu-a-te the positive

30/11/2010

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