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sábado, novembro 13, 2010

O Malabarista

"Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda"
(Cecília Meireles)



Recapitulando o verbo sonhar, conjugando com "pintar". Algumas coisas, objectivamente:
vejo um pássaro-limão com olho e bico, asas na nuca abertas ao trapézio da bailarina noiva. Uma dança com um violino ao peito e uma perna na mão, na outra florescem plantas. Dá as horas debruçadas sobre um braço. Aparece de uma casa debaixo de uma ponte azul com observadores, que me parece na realidade um circo, de sonhos. Não entendo, mas é liberdade. E se a arte imita a vida ou se a vida imita a arte, é um entendimento e relação que não me intrigam muito, mas ajudam a explicar esse sonho humano, seja ele mais, ou menos consciente. Utilizei o advérbio "objectivamente". Mas como é que se pode fazê-lo sobre uma pintura e sobre ideias objectivamente, relativamente descontextualizado e, sobretudo, quando se trata de símbolos e poemas, palavras e imagens juntas na mesma ocasião sob aquilo em que penso? Com uma dose de malabarismo entre conceitos? Com vontade? Com pretextos? Com assimilação orientada num sentido que eu tinha definido? Como dizer que a arte é indefinida e é alicerçada nos ímpetos desconhecidos da consciência individual? Dizendo. Acreditando no pensamento que nos pode trair. Acreditando que a cada linha o fumo se esvai para dar sentido a um problema que nem sequer existe no concreto, e que passou a existir porque o criei, como tantos e tantas vezes se criam, porque não é um problema original, porque a consciência assim o delimita neste espaço em que a procura e a pergunta é um valor maior que o encontro e a resposta. 

(© Marc Chagall)


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