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terça-feira, março 30, 2010

Repositório #1

-INAUGURAÇÃO-



Este blog passa a ter, por período indeterminado, uma rúbrica dedicada a ensimesmados e autofágicos flash-backs, pascalmente inspirado, cronologicamente alinhado, alimentando-se a si mesmo num post, de outro post. Consta que vai ser coisa mensal, menstrualmente inspirado.

Eis a primeira ressuscitação:


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-->Abril, 2007<--
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Contos de Saki

«- De resto - disse a Duquesa vagamente - , há certas coisas a que não podemos fugir. Bem e mal, recta conduta e inteireza moral, tudo isso tem os seus limites bem definidos.
- A esse respeito - replicou Reginald - , também o Império Russo os tem. O problema é que os limites não estão sempre no mesmo lugar.


Reginald e a Duquesa fitaram-se com mútua desconfiança, temperada por algum interesse científico. Reginald considerava que a Duquesa tinha muito a aprender; em especial, a não sair a correr do Carlton como se tivesse medo de perder o último ómnibus. Uma mulher que descura as suas saídas de cena, dizia ele, é capaz de abandonar Londres antes das corridas de Goodwood, e de morrer, no momento errado, de uma doença fora de moda.
A Duquesa achava que Reginald não ia além do padrão ético que as circunstâncias exigiam.


- Claro - resumiu ela, pugnaz - , é vezo actual acreditar na perpétua mudança e mutabilidade, e todas essas coisas, e dizer que não somos mais do que uma forma melhorada do macaco primevo - e, claro, deve subscrever essa doutrina?
- Acho que ela é decididamente prematura; na maioria das pessoas que conheço o processo nem de longe está terminado.
- E também é claro que é bastante irreligioso?
- Ah, não, de todo. O que a casa agora gasta é um quadro espiritual católico romano com uma consciência agnóstica: tem-se assim o pitoresco medieval do primeiro, juntamente com as comodidades modernas da segunda.


A Duquesa reprimiu uma fungadela. Era uma dessas pessoas que encaram a Igreja Anglicana com condescendente afeição, como se fora algo que tivesse nascido e crescido no quintal dela.
- Mas há outras coisas - continuou - que, acho eu, serão até certo ponto sagradas, até para si. O patriotismo, por exemplo, e o Império, e a responsabilidade imperial, e o sangue-mais-espesso-do-que-a-água, e essas coisas todas.


Reginald esperou uns minutos para responder, enquando o Senhor de Rimini monopolizava temporariamente as possibilidades acústicas do teatro.
- Isto é o pior que têm as tragédias - observou - : nem sempre conseguimos ouvir a própria voz. É claro que aceito a ideia imperial e a responsabilidade. No fim de contas, posso muito bem pensar em termos de continentes no que toca às distâncias. E um destes dias, quando a saison terminar e tivermos tempo, há-de explicar-me a precisa irmandade de sangue e essas coisas todas que existem entre um franco-canadiano ou um doce hindu e uma pessoa de Yorkshire, por exemplo.
- Oh,muito bem, "domínio sobre a palma e o pinheiro", não sei se se lembra - citou a Duquesa esperançosa - ; não podemos, é claro, esquecer que fazemos todos parte do grande império anglo-saxão.
- O qual, pelo seu lado, está rapidamente a transformar-se num subúrbio de Jerusalém. Um subúrbio muito agradável, admito, e duma Jerusalém bastante encantadora. Mas, ainda assim, um subúrbio.
- Ora essa, uma pessoa ouvir dizer que vive num subúrbio quando está ciente de que espalha os benefícios da civilização por todo o mundo! Filantropia... Suponho que vai dizer que se trata de uma ilusão cómoda, mas até você terá de admitir que sempre que a miséria ou a fome se declaram num sítio qualquer, por mais longe que seja, por mais difícil que seja lá chegar, organizamos imediatamente acções de socorro à mais generosa escala, e distribuímos a ajuda, se necessário for, nos mais recônditos recantos da terra.


A duquesa deteve-se com uma sensação de triunfo definitivo. Fizera a mesma observação numa reunião de salão, e fora extremamente bem recebida.
- Só queria saber - replicou Reginald - se já se passeou pela margem do Tamisa numa noite de Inverno.
- Deus louvado, não, meu rapaz! Porque pergunta?
- Não perguntei, só queria saber. E até a sua filantropia, praticada num mundo em que tudo se baseia na concorrência, deve ter uma conta de deve e haver. Os corvos bébés gritam por comida.
- E são alimentados.
- Exactamente. O que pressupõe que haverá que alimentar outra coisa qualquer.
- Ai, é exasperante. Andou a ler tanto Nietzsche, que perdeu todo o sentido da proporção moral. Posso perguntar-lhe se tem alguma lei de conduta por que se reja?
- Há algumas regras fixas que uma pessoa observa para sua própria comodidade. Por exemplo, nunca podemos ser levianamente grosseiros para com um estranho inofensivo de barba grisalha que encontremos nos pinhais ou nas salas de fumo dos hotéis no continente. Trata-se invariavelmente do Rei da Suécia.
- A contenção deve ser-lhe horrivelmente aborrecida. Quando eu era mais nova, os rapazes da sua idade eram simpáticos e inocentes.
- Hoje somos só simpáticos. Nos dias que correm, temos de nos especializar. E isso lembra-me a história de um homem que li num livro sagrado: deram-lhe a escolher o que mais desejava e, como não pediu títulos nem honrarias nem dignidades, mas apenas uma imensa riqueza, essas outras coisas vieram-lhe por acréscimo.
- Tenho a certeza de que não leu isso em nenhum livro sagrado.
- Li, acho que vem no anuário das linhagens inglesas do Debrett.»

Caso da Vida

Diz sobre o nome "Gorete":
«Vem do latim: Gorrum (barrete ancestral utilizado em rituais de passagem para a maturidade adulta); Materna, boa cristã, católica, filósofa, de bem com a vida, meiguinha, companheira, prá frentex.»


sábado, março 27, 2010

(:Flick flop:)

Click!-->Upgrade<--!kcilC
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"A white house, a white room
The program of today
Lights on, switch on
Your eyes are far away
The map represents you
And the tape is your voice
Follow all along you
Till you recognize the choice
(...)

Bright light, dark room
Bright light, dark room

I said I'd write a letter
But I never got the time
And looking to the day
I mesmerize the light

The years I spend just thinking
Of a moment we both knew
A second past like an empty room
It seems it can't be true

(...)

Bright light, dark room
Bright light, dark room"


Ando à cata de umas fotos, para digitalizar, mas não sei onde as guardei. O scanner está cheio de pó. Os negativos que estavam lá dentro já não sei onde os repôr. Tenho saudades da analógica.

B(r)ought it

segunda-feira, março 22, 2010

"Carlos, o Musical" - num youtube perto de si

«Hoje, "Carlos, o Musical" não é só caso subjectivo. Objectivamente, é uma das maiores obras de arte deste século.»
Mensagem do céu à terra de João Bénard da Costa.

quarta-feira, março 10, 2010

Cantigas do Maio

Nuestros hermanos têm uma jóia que se adequa às lides do grupo de recepção ao Papa. É ele aterrar o pézinho e a batina doirada, o ceptro e a longa missanga católica em solo português, que devemos, por esse mesmo período de tempo, correr para lá e comportarmo-nos como uma província espanhola, desrespeitando a herança dada pela padeira de Aljubarrota, fazendo-nos valer de uma língua mais mexeriqueira e diaspórica, isto é, a língua em que se canta o sacramento que abaixo passo a linkar. Ou então, ok, dobra-se em português. Urge portanto que nos vistamos a rigor, que empunhemos a mão ao peito e cantemos evangélicos (depois, para compensar, podia vir o nosso hino, e para compôr um medley, terminar com um Hail Ratzinger em melodia "parabéns a você").
Versão Alaska para a tve, 1989:

terça-feira, março 09, 2010

Quote of the day -

"The terror of error
The error of terror
The terror of seeing
The error of being"

& - a painting:

© Balthus

terça-feira, março 02, 2010

Resident Slap 6!! Out Now!

"Alexandra Lucas Coelho e Vasco Câmara in Público - «"Resident Slap 6" é uma impressionante obra-prima do cinema, feita de delicadeza e emoção. Uma homenagem sensível e comovente a um homem que faz 40 anos, a braços com um acontecimento que lhe vai marcar a existência e nos vai deixar de lágrimas nos olhos. A sequência inicial, quando uma pacheca pergunta à outra "Queres atirar-te para o chão enquanto te faço cócegas?" constitui um dos momentos verdadeiramente mágicos e leva-nos num percurso de deslumbramento através deste maravilhoso drama existencial, que nos é revelado pelas mãos ágeis do grande Carl Ai Pode, entre outros. A não perder.»"

Não há dança contemporânea que bata isto



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