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domingo, abril 29, 2007

sexta-feira, abril 27, 2007



stills from: Shortbus, John Cameron Mitchell, 2006
Shortbus passou ontem no São Jorge, pela mão do Indie Lisboa. É mesmo hardcore, não fica a dever nada a filmes exclusivamente pornográficos. O ritmo e as cores, arrisco a dizer, andam próximos dos do Tarantino mas sem a violência. O humor ainda é melhor. Gostei da maquete da cidade, animada. É daqueles filmes que há 10 anos atrás ninguém conseguiria fazer (nem o próprio realizador), acho, não estou a falar em termos técnicos, independentemente de pegar na particularidade histórica do apagão de Nova Iorque pós 11 de Setembro (e isso ter menos de 10 anos). Um dos melhores filmes que vi em 2007, so far! Espero que ganhe a competição (talvez porque ainda não tive oportunidade de ver mais nenhum).

quarta-feira, abril 25, 2007

Da liberdade (título típico de post do 25 de Abril, mas este tem animais e é, talvez, um bocado a puxar ao lamechas/moralista)

Trouxe este folheto para casa. Quando olhei achei piada. Depois de uma bebida e tal, é engraçado. Mas depois de começar a ler lembrei-me de coisas que acho que já toda a gente sabe e que se sabendo, no meu caso, só explico ainda não me ter tornado vegetariano ou coisa parecida, por ter vindo a recalcar este tipo de informações e pensamentos lhes subsequentes.

As condições são mesmo muito violentas. Isto é, segundo diz aqui e outros fidedignos dizem: "passa a sua vida inteira fechada e apertada numa gaiola de bateria, juntamente com muitas outras galinhas. Tem um espaço para se mover que é menor do que um papel de tamanho A4. Não se pode estender nem sequer abrir as asas. (...) máquina de produção de ovos (...) poderá facilmente, como acontece a muitas galinhas, ficar com os ossos quebrados antes de ser levada para o abate." Etc. São biliões assim.



Não necessariamente a propósito, há aquele filme já antigo, o Soylent Green, ficção científica suficientemente realista sobre sociedade num futuro não distante, de catástrofe ecológica, em que a população é mantida sob regime de ração, imposta, publicitada e confirmada como saborosa e nutritiva, em forma de espécie de hóstia, que o protagonista vem a descobrir ser feita na íntegra a partir dos restos das "carcaças" das pessoas, "recicladas". Acho que isto até me faz menos impressão. Giro é aquilo do Keith Richards (aquele maluco/carcaça dos Rolling Stones) ter dito (entretanto esclarecido como "piada") que "snifou" as cinzas do pai cremado/falecido.























Passaram-me o link, "tens de ver, só visto", do fórum do PNR, por onde anda pessoal dos movimentos "político-partidários" "nacionalistas" (com muitas aspas) lhe associados, muitos deles (dos "users") bastante novos. Têm comentários incríveis, incluindo assinaturas com imagens de bandeiras com suásticas a frases/afirmações inclassificáveis. Desde "Portugal é Nosso", "Por um Portugal melhor, orgulho branco" até um bonito (...) "Que mulher vais escolher para mãe dos teus filhos?". Um dos tópicos é "proibida romagem à campa de Salazar em Santa Comba Dão" (no dia do aniversário ou lá o que é) e é muito respondido. Também há por lá um emblema com D. Afonso Henriques (uma versão azulada e esquisita, a sair das brumas e tipo estátua), com símbolos (incluindo um pentagrama - ?!) e com o slogan "Quem não ama a raça, não a merece".
A pessoa que me passou o link, pensou/anda a pensar, em registar e aparecer com um perfil cuja imagem será uma figura da padeira de Aljubarrota, para, basicamente, dizer umas coisinhas.
O site, por um lado, merece uma certa atenção de qualquer pessoa, porque é, à sua (má) maneira, incrível, por outro, espreitar aquele espaço também é perder tempo, depois do período de possível curiosidade inicial que esgota rapidamente a paciência. É mais que óbvio que não é preciso ter-se qualquer veia de activista político ou ideológico de esquerda ou sequer de direita não extremada para repudiar, com certa (...) acidez, aquilo.

quinta-feira, abril 19, 2007


1
(calças) zebra + violino = Patrick Wolf


2

3

1 . pintura de Bela (título desconhecido)

2. Paris, 2002

3. mixa royalty free photo stock, businessmen crossing zebra crossing

quarta-feira, abril 18, 2007

Há um cd que tem o A. Schwarzenegger a incitar ao esforço físico, dando mote, passos, ritmo, moral. Aeróbica, acho. Os precedentes que levaram a esta descoberta não são agora chamados, mas conheci uma faixa em que se ouve o governador/exterminador a gritar "up..., down..., up..., down..., up..., down..., now you must... (etc)" em que o fundo sonoro está preenchido pelo "delírio eufórico" das Weather Girls, sufragettes da música clássica. Sim, verdade, Arnold public trainer + "it's raining men". Quando voltar a andar de bicicleta já sei o que vou levar no leitor de mp3, quando tiver um.













Este conjunto fica-lhe bem, no estilo pijama de super herói por sair do rascunho/esboço de gaveta, acho que quando fizerem a biografia, ou melhor, quando ele escrever a auto-biografia, deve usar esta imagem na capa.
A propósito de auto-biografias e aproveitando isto do Schwarzenegger - em termos de corpos e de que se estivesse apoiado num leme, em vez de um haltere, e vestisse uns panos compridos, confundia-o com um infante marinheiro - ando a ler Havana Para Um Infante Defunto. Nunca pensei que gostasse de romances auto-biográficos, se a memória não me falha ou se me falha o erro, este é o primeiro. Há uma passagem assim:
Até a monumental Angelita, angelical na sua euforia, tinha um olho na filha, como um monóculo sobre o seu rabo único, jóia à espera de uma estereotomia, protuberância preciosa, giba donairosa - enquanto mantinha o outro olho nos seus inúmeros motivos de riso.
Criteriosa escolha de adjectivos.

domingo, abril 15, 2007

Jane Adams foi a "Joy" do "Happiness". Do nome não tinha nada. Reencontrei-a e reconheci-a em "Little Children", nova interpretação de personagem que murchou algures, ou foi sempre assim, azarada, ingénua, insegura e, talvez, mais do que isso, triste. Cheguei inclusivamente a julgá-la também no papel da "cocaínada" do Magnolia, a que funga ao som de Aimee Mann, mas não é ela, nem sequer são parecidas. De alguma forma, acho que desde este último filme que passei a imaginar a melancolia, na forma feminina, à Jane Adams. Já vi personagens mais "fortes" ou mais exploradas, actrizes em esforço dramático maior. Para ela transponho-lhe o papel à pessoa, à figura, vejo-a como uma pessoa triste, abatida. Mas até pode ser o extremo oposto. Bom, enfim, WHo caReS?
Se ela cantasse seria qualquer coisa parecida com a Julee Cruise e teria canções que durariam mais que as da Joanna Newsom, pelas quais arrastaria parcimoniosamente um desapego à vida.

sábado, abril 14, 2007

3 fotógrafos brasileiros do século passado


Júlio Agostinelli

Francisco Azzmann

Cristiano Mascaro

quarta-feira, abril 11, 2007

Metro. Hora de ponta.
Duas mulheres conversam alto, eu estou no meio. Uma diz que só se pode responsabilizar pelos seus actos, não pelos da "Lourdes pequenina". Menciona "Lourdes pequenina" umas quantas vezes: é a colega de gabinete. Lourdes pequenina? Imagino-a senhora na ternura dos 40, nariz estreito e ligeiramente adunco onde na ponta assentam óculos meia lua para ver ao perto, daqueles com correntes para pendurar ao pescoço, sentada numa secretária de tamanho desadequado à sua estatura, às vezes tem de encavalitar-se um bocado para trabalhar. No tampo da mesa, de um lado, um pisa-papéis de há dois séculos numa pilha de folhas, do outro, uma moldura com um desenho da Lourdes Júnior, a filha também pequenina.
Lourdes pequenina é estranho para estar a falar de uma colega de gabinete que a outra parecia conhecer perfeitamente. Deve haver uma Lourdes grande, daí a especificidade colada ao nome. Com sorte até há a Lourdes do meio, a média, feita assim a trindade das Lourdes, que podiam ser matrioskas e caber umas nas outras.

terça-feira, abril 10, 2007



"Gloria", John Cassavetes, 1980

Desconfio que seja o filme mais acessível dele.

Entretanto houve remake.

A Gloria é mais ou menos como a Jackie Brown, mas mais criminosa e simultaneamente mais altruísta. Tem um pouco de tia (de anos 80). Andam as duas de malas grandes atrás. A minha parte favorita é quando ela dispara sobre mafiosos num carro, durante o dia, e este capota uns metros à frente. Pega no miúdo, faz sinal a um táxi que passa ali dois segundos depois e o taxista pergunta-lhe o que se passou, que houve ali um grande acidente, ao que ela responde "we don't care about accidents" e manda-o seguir caminho.

"You sissys! Punks! You let a woman beat you!"

Três coisas (pouco importantes, com ressalva para a última) que me ocorrem e das quais sinto falta:

- Pato à Pequim. Aquelas partes tostadas e crocantes, das peles e tal, com a laranja - que bom.
- Sol Música. Longe de ser perfeito, tinha menos publicidade, especiais daqueles em que passavam uns 10 videoclips da mesma banda e entrevistas sóbrias, mais variedade e uma maior incidência em música pouco comercial relativamente ao que se passava e passa com os restantes canais de música que conheço. De qualquer das formas, já quase não vejo tv, isto é só um devaneio pouco consistente.
- Viagem fora de Portugal. Já tenho quase um quarto de século e faltam-me uns 200 e tal países.

domingo, abril 08, 2007

Tenho acompanhado os jornais.
Além das maravilhosas (estou a ser irónico, até porque nestes últimos dias o adjectivo "maravilhoso" cumpre o castigo de me remeter para o discurso da típica actriz brasileira a falar sobre/promover a novela onde participa, começa e acaba sempre em poucas ou uma palavra: "maravilhosa", é uma novela márávilhosa, tira-se o som e nem assim se foge a isto, sabe-se que é isso que se está a dizer) colecções de cds de música portuguesa de primeiro volume grátis, há outras coisas, por exemplo, notícias.
No domínio da possível ficção cinematográfica, há a história do senhor português de uma terra do interior (Fornos de qualquer coisa) que foi a Miami, supostamente buscar uns papéis a um banco e acaba por ser acusado (talvez por ter participado mesmo) de um assalto ao mesmo. A história começou na quarta-feira e entretanto mete FBI e até parece que o homem, ex-proprietário de um matadouro, está a ser defendido pelo advogado que outrora defendeu um líder do Panamá capturado. Portugal nos States é assim, sem meias medidas.
Em termos históricos, é sempre reconfortante saber que nos caixotes dos pertences de São Salazar, em Santa Comba Dão, está uma embalagem de restaurador Olex (preto de cabeleira loira ou branco de carapinha não é natural. o que é natural e fica bem é cada um usar o cabelo com que nasceu.)
A não esquecer, o episódio naval, ou melhor, um prológo dele. A propósito da libertação dos marinheiros britânicos tenho a dizer que, nas breves informações que vinham de cada um no jornal, acompanhadas de fotos, a única marinheira, de 26 anos, aparece com um lenço preto na cabeça, tipo senhora da aldeia e parece ter 50 anos, apesar de estar desfocada. Parece mesmo uma beata de lenço e buço. Ter-se-ão enganado na foto? O presidente iraniano, e já tinha formado esta opinião quando o vi em entrevista televisiva, alterna entre um ar de humilde coreógrafo indiano feliz com a vida e carpinteiro de assobios desregrados.

quarta-feira, abril 04, 2007

Páscoa. Vou à terrinha.

Disfarces, cantigas, belas fatiotas... o catolicismo e o music-hall são uma e a mesma coisa.
Boris Vian


Já agora:
tenham medo.

Encontrei esta imagem. Acho que está a martelar teclas, mas também parece um bocado que está a pregar um dedo ao piano. É anti-arte.

domingo, abril 01, 2007

Vi o concerto de Pop Levi no Music Box.
Apareceu de cabelo espetado atrás, quimono preto e olhos levemente pintados.
Qualquer pessoa lhe vê sérias parecenças com o Johnny Depp. Até vou mais longe: há uma entrevista em que ele está, sem tirar nem pôr, o fulano da fábrica de chocolate. Revela, nesse programa televisivo francês, à laia de apresentação informal, "i'm into mathematics and Jimi Hendrix". Adiante desenvolve e fala no seu interesse por numerologia. No vídeo da Pick Me Up Uppercut não tem ar de quem gosta de matemática. Já no da Sugar Assault Me Now é um autêntico catedrático.


Vocalmente é muito mais próximo, em álbum, do Marc Bolan que do Hendrix. Ao vivo a coisa ganha contornos mais experimentalistas, psicadélicos e até psicóticos, com o Domino (guitarrista) de olhos abertos como holofotes apontados ao público, ar incrédulo de quem acabou de injectar ou fumar uma dose forte de alucinogénios. Neste caso, instrumentalmente, a electricidade também toca o Hendrix.


Estava muito pouca gente.
Acho que as pessoas estão desconfiadas. No jornal de sexta defendem-lhe aptidões mais que suficientes para ser "star". Acho que é generalizado na imprensa internacional. Na net, vi há pouco comentários do género: deixa-te mas é ficar como baixista dos Ladytron que estás melhor.
Pop Levi diz que este álbum é sobre a arte do erro. Antecipo um certo falhanço. O álbum é bom.


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