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domingo, janeiro 28, 2007

Voltei a pensar e a confrontar-me com a questão do aborto.
A campanha do movimento "não" à despenalização é retrógrada. Os seus militantes são muitas vezes movidos pela lógica do que é religiosamente patético e do que é bimbo.
E não vejo o porquê de a mulher não ter a legitimidade e o direito de decidir, de acordo com a sua consciência e circunstância, a continuação da sua gestação, quanto mais ter direito a prisão.

sábado, janeiro 20, 2007

A propósito da despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas, não tenho grandes dúvidas na minha posição: "sim". Mas ainda assim, não é de ânimo leve que a tenho. Terei, por esta certa falta de completa e liberal desenvoltura no assunto, uma costela conservadora (que mereça ser serrada das costas)?
A questão, em pratos limpos, é tão simples quanto esta: as mulheres que pelas suas impossibilidades recorrem clandestinamente a organizações exploradoras, precárias e prejudiciais não merecem ser criminalizadas. Ok, apostem socialmente na educação sexual também, na informação, consciencialização, na prudência, em tudo ao alcance para evitar o transtorno de uma gravidez indesejada ou considerada inconcebível. Conheço quem tenha abortado, e percebo o quão difícil pode ser passar por uma situação dessas do ponto de vista psicológico, sem portanto considerar possíveis complicações maiores de saúde.
Há uns meses atrás li uma entrevista a um rapaz, identificado apenas pelo nome próprio, que falava do caso da sua namorada, de como engravidara (se fosse no 24 horas teria sido violada pelo avô) e de como acabaram por decidir abortar, de como foram a Espanha. De como as coisas até correram bem. Quando na última pergunta o interrogaram sobre o seu voto na matéria da despenalização, o rapaz respondeu que ainda não sabia bem, que talvez votasse "não". Isto faz sentido? O caso deles nem sequer me pareceu propriamente muito problemático, pelo menos, de acordo com a entrevista, não percebi que houvesse a mesma dificuldade em criar e sustentar um filho que há noutros casos. Ou talvez a coisa tenha sido um bocado pintada assim, mas do que me lembro, ou ele ou ela eram de família suficientemente abastada, com recursos para ajudar pelo menos financeiramente. Na teoria até é bonito dizer "não", que bonito que é ser "pró-vida", mas na prática as coisas raramente funcionam da mesma maneira. E relativamente a este "crime", há um moralismo excessivo, nauseabundo e impregnado de tradição e pensamento religioso.
Pesquisei sobre o assunto. Os ditos "pró-vida" ou a favor da penalização, falam muito em "matar", no "já ser vida".
Cientificamente, é às 10 semanas que o embrião passa a ser designado de feto (e atenção: acho que é só por volta das 5/6 semanas que a mulher grávida pode saber/confirmar que o está), com as implicações fisiológicas que isso tem. Isto faz-me uma certa confusão. Pode contrabalançar-se com o pensamento de copo bem medido de "mata-bicho" em serão de "isto é tudo uma merda, o mundo é um sítio mau para se viver" ou "tudo corre mal" ou "everything goes to hell anyway, a la Tom Waits"- "também não sabe ao que vinha, se soubesse preferia não nascer...até é melhor".
A valorização da vida humana sobre a restante vida à face do planeta, seja também animal ou vegetal, é algo que sempre existiu e sempre existirá, e que se reflecte também a nível prático, como é fácil de verificar. Ainda que agora até surjam teorias que defendem a possibilidade de até as plantas sentirem dor (vegetarianos que andam para aí a ceifar para bem do animal: tomem disto). No outro dia, numa palestra, até ouvi falar no facto de o arroz ter mais genes que o ser humano (isto leva-me a não descartar a hipótese de daqui por uns anitos a comunidade científica descobrir que o arroz também tem depressões). Mas a sério, tem mesmo um genoma mais extenso.
Retomando a linha de pensamento, um feto é vida, mas até que ponto é que já é vida humana? Tudo bem, tem os genes. Mas sem a integração social e ambiental no espaço extra-uterino poderá ser considerado um ser humano? O argumento de que a vida humana começa com a concepção é usado por muitas pessoas em todo o mundo, e em grande parte, de uma forma pouco coerente.
Encontrei um site que fala disto, integrante de uma designada "Friesian School" online, "school" enquanto doutrina, que segue uma linha filosófica e que também aborda outros assuntos. A perspectiva denotada pela abordagem dos argumentos pró e contra, parece-me pender quase claramente contra o aborto enquanto prática, ainda assim, têm um ponto entre o relativamente bem apanhado e o idiota, relacionado com esta tal questão:
The basis of the "pro-life" position, in turn, is that human life starts with conception. The view is that there is no natural point of division in the life of a person between the fertilization of the egg and the point of the "viability" of a fetus to survive outside the womb, let alone birth. Furthermore, an embryo develops quickly, and by the time artificial abortions are likely to be performed, heart, brain, circulation, and other recognizable organs and organic functions already exist.
While simple and coherent, the principal difficulty with this "starts with conception" view, however, is that the views of a very large number of "pro-life" people are inconsistent with it, if indeed they believe that abortion should be allowed in cases of rape and incest. If the "starts with conception" view of human life is to be applied consistently, a child of rape or incest is completely innocent of those acts and does not deserve to be killed because of the crime of its father.
Since the number of "pro-life" advocates who would be willing to force victims of incest or rape to endure a pregnancy as the result of those crimes is small enough that it wouldn't matter politically all by itself, our attention should turn to "pro-life" advocates who would allow abortions in case of rape or incest. They make the difference politically, but since their views are inconsistent with the "starts from conception" view, we must ask if there is any other justification for an anti-abortion stance that would make for a coherent perspective for such people. That will leave the "starts from conception" view of human life unanswered (for the moment), but I think that the revulsion most people would feel at making a woman bear the child of a rapist can be taken as a sufficient clue that most pro-life sentiment actually does not come from the "starts from conception" formulation.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Apressei os passos, estava atrasado. Os maxilares mexeram-se, engoli em seco e passei a língua pela gengiva. Estava quase à porta da sala para o exame prático e senti um dente a desprender-se, como que a desenroscar-se. Apanhei-o com a mão, sangrava ligeiramente. Com movimentos da língua apercebi-me que a dentição não estava segura. A maçaneta estava a um metro e a minha boca mascarou-se num turbilhão pastoso. Caiu-me outro dente e este foi goela abaixo. Não fui à casa-de-banho. Entrei, falei com a professora aos solavancos, à medida que os dentes me caíam e que ia ficando com dificuldades de discurso. Apanhava-os com as mãos, sujas de sangue. A mulher ficou ligeiramente perturbada. Disse-me que fosse beber um copo de água. Acordei.

sábado, janeiro 13, 2007

Tive a sorte (!...) de ver, recentemente, um bocado de um programa de informação desportiva na rtpn. Dava uma breve reportagem sobre a última liga de futebol portuguesa e eram entrevistados fartos bigodes e barrigas de proeminência característica. Seguiu-se uma rúbrica chamada "as últimas" ou qualquer coisa parecida. Mencionavam um evento de wrestling profissional, algures para o norte do país, não sei exactamente quando, estava com sono e o jornal aberto no colo. Os primeiros comentários foram sobre o espectáculo ser, no fundo, e como é do conhecimento geral, mais de acrobacia que outra coisa qualquer. O sangue ser ketchup ou afins, coisas assim. Acho piada ao ar primitivo que os lutadores/gajos/bestas fazem ou têm, principalmente durante as exibições, é ver atirarem-se pelo ar, uns aos outros, e amontoarem-se pelos cantos do ringue, feitos carcaças. Quando era mais novo, seguia algumas lutas na televisão, aquelas comentadas pelo Tarzan Taborda, era um misto de entretenimento teatral/circense, desportivo e humorístico. O grandioso Taborda, essa peça fundamental na engrenagem que faz funcionar o orgulho nacional. Saía-lhe "carne para canhão" sempre que tinha ou não oportunidade. Lembro-me de, no seu tempo de antena de comentador, se ter gabado de lutar e vencer um profissional asiático, aquando um combate entre este e um campeão americano. O asiático "de alto gabarito" dava pelo nome de Panaska ou qualquer coisa lá muito perto e era a sua estreia no circuito wwf. Perdeu e nunca mais houve notícias dele. Oh Panaska. Oh Taborda. Quanta emoção naquela voz debitante - o rei da luta livre português apanhado numa onda de nostalgia efervescente.
Hoje sou incapaz de ver mais de dois segundos de wrestling (já quanto a luta greco-romana, as perspectivas são outras). Agora parece que há muito mais lutas entre mulheres. As gajas. As rufias. Com pose porno kinky abrutalhada. A Peaches dava uma boa wrestler. Comentário do locutor deste programa informativo: "(...) transbordaram sensualidade enquanto puxavam os cabelos umas às outras".

quarta-feira, janeiro 10, 2007

1964 foi um ano especial.

Filmar certas habilidades é um passatempo como outro qualquer. Há, para tudo, a música certa!

t-shirt folding (no chão é que é)

terça-feira, janeiro 09, 2007








A propósito de um livro de fotografias deste auto-intitulado Weegee - da colecção que retrata, (principalmente) uma Nova-Iorque nocturna, insidiosa, desordeira, criminosa, dos anos 40/50, há algumas fotos que gosto bastante. Weegee viajava com esta máquina (não haja dúvidas que este modelo, comum na altura, seja hoje uma curiosa peça de museu) no seu carro ao som da rádio e emissões policiais ou noticiosas, pronto a chegar ao local do acontecimento. Poderia imaginá-lo como um fotojornalista sensacionalista que a existir hoje faria coberturas pelo 24 horas ou assim. Sobretudo pelas imagens e não tanto pelas palavras que acompanham o livro, percebo que era gajo para mais.

"Couple in Greenwich Village café", 1955

domingo, janeiro 07, 2007





Esta fotografia é do ano passado.
Adiar um cigarro não é tão difícil quanto poderá ser. Isto é: reduzir e manter-se num nível estipulado de limite de cigarros por dia é possível e recomenda-se, caro tabagista. Há quem defenda a redução drástica para o redondo zero por dia, mas isso não era história para mim. Há as ajudas - consultar o médico ou farmacêutico, vem no maço, nosso conselheiro.

Terapia de choque: ver os filtros pretos e cheios de porcaria, pulmões carbonizados, doentes em estado terminal, e por aí adiante, fica para outra altura mais colorida. Mas decidi começar a contar até ao número 6 e daí para a frente aguentar-me à bronca, o que me obriga a dosear, a adiar. Não está a ser difícil, logo logo estarei a fumar 5 por dia, depois... só depois da refeição e ainda neste mesmo ano ímpar poderei pensar num cigarro como um artefacto do passado. Resta saber se eu acredito no que escrevo. Estou há sete dias nisto. So far so good.
Que escondes no regaço?
São rosas, senhor, são rosas.

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